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Texto escrito pelo Mestre Nebo, traduzido pelo Irmão AEL S::: I:::, publicado originalmente no blog Frater AEL no dia 11 de julho de 2009. A segunda parte do texto havia sido publicada anteriormente e pode ser lida AQUI.

Quando Ragon escreveu sobre o problema da Maçonaria disse que “se nosso pai Adão quisesse abrir uma Loja no paraíso, só poderia faze-lo com sua esposa Eva” e muitos maçons depois ainda citam que sendo Eva a primeira a comer do fruto da Árvore do Conhecimento, esta teria sido a primeira iniciada, e só posteriormente Adão seria iniciado por ela.

Examinaremos neste artigo não só a questão da mulher na iniciação mas em específico o papel da mulher na iniciação Martinista e sua atuação no decurso histórico.

Sabemos que o iniciador deste movimento foi Martinez de Pasqually que fundou a Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos Cohen dando início ao movimento Martinezista, ordem esta que participaram Jean Baptiste Willermoz, responsável por retificar o movimento inicial criando o Willermonismo através do Rito Escocês Retificado, e Louis Claude de Saint Martin, que fundou o movimento Martinista.

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Trecho da obra "Martinezismo, Willermozismo e Franco-Maçonaria" escrita por Papus. Grifos nossos.

"Foi então que os mestres do Invisível dirigiram a grande reação idealista e forneceram ao Martinismo os meios para adquirir considerável expansão. Assim como Martinez havia adaptado o Swedenborgismo ao meio no qual deveria agir, assim como Saint-Martin e Willermoz tinham também feito as alterações indispensáveis, igualmente o Martinismo contemporâneo adaptou-se ao seu meio e à sua época, conservando à Ordem seu caráter tradicional e seu espírito primitivo. Essa adaptação consistiu sobretudo na união íntima dos sistemas de Saint-Martin e Willermoz. Os iniciadores livres, criando discretamente outros Iniciadores e desenvolvendo a Ordem pela ação individual, caracterizavam o sistema de Saint-Martin. Os grupos de Iniciados e Iniciadores, regidos por um centro único e constituídos hierarquicamente, caracterizavam o Willermozismo.

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Texto de Christopher McIntosh, traduzido pelo amado irmão Leonardo MP e disponibilizado na página Hermanubis, constando das páginas 21 a 25 da obra "Eliphas Levi e o Reavivamento do Ocultismo francês".

Antes do ritual os participante jejuava durante onze horas. O jejum era um costume estabelecido em rituais mágicos e, segundo Pasqually, ajudava a liberar a alma e lhe permitia se comunicar com o "centro da verdade".

A época em que a cerimônia aconteceria era guiada através de considerações celestiais, já que Pasqually acreditava em um tipo de astrologia idissiocrática. "Os corpos do universo" declarou, "são todos os órgãos vitais da vida eterna."

Peculiarmente influente era a Lua, devido a sua proximidade, e o Sol, porque a vida na Terra era dependente de sua luz. Logo, Pasqually escolheu os equinócios para seus rituais mais importantes, e também considerou a Lua crescente como uma influência propícia. Estas condições animavam os espíritos bons cujo apoio era necessário para os funcionamentos teurgicos. Devia-se evitar, a todo custo, as influências demoníacas e as más inteligências que povoam o domínio astral.

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Texto de Mestre Nebo, traduzido pelo Irmão Grpp, publicado originalmente na página Ordem Martinista Brasil, em 08 de março de 2015.

Claudina Teresa Willermoz foi uma das iniciadas na Ordem dos Elus Cohen do Universo, através de seu irmão Jean Baptiste Willermoz (Fundador do Rito Escocês Retificado) que trocou cartas sobre o assunto com seu Mestre Pasqually (Fundador da Ordem dos Elus Cohen), entre os anos de 1771 e 1773, transmitidas ao Mestre através de seu secretário Saint-Martin. Pelo que sabemos Claudina não teria avançado além do grau de Mestre Eleito Cohen.

Dentre as iniciadas na Ordem, já foram relatadas por Van Rejnberk os nomes:

Da Senhora Lusignan, em Paris;

Da Senhora de Provenzal, Senhorita de Brancas e da Senhora Coalin, em Lyon;

Da Senhora Delobaret (viúva de Martinez) em Bordeaux;

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Texto do Irmão +Tácitus compartilhado originalmente no blog Rosacruzes em 24 de março de 2015.

Todo e qualquer estudante curioso de alguma das ditas ciências ocultas, em determinado momento, se já não se deparou, irá se deparar com o estranho nome PAPUS. Aquele que hoje pertence a qualquer organização de caráter esotérico, ouvirá muito seu nome em diversos temas e, o profundo investigador nesse tema constatará que no misticismo ocidental, talvez seja o nome visto com maior frequência.

O motivo disso? Simples, ao olhar sua vasta bibliografia, a profundidade com que diversos temas foram abordados mas também, pela reputação adquirida por seu conhecimento com sua mente “enciclopédica” perspicaz e sua peculiar capacidade de síntese, fez com que seu nome se espalhasse por toda a Europa e além dela. Somamos a isso seu carisma e magnetismo pessoal como testemunharam seus amigos e irmãos mais próximos por diversas vezes, tornou-se então a referencia mais procurada dentro do meio ocultista e das ordens esotéricas do final do século XIX e início do XX.

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Trecho do livro ABC do Ocultismo, de Papus. Utilizamos aqui a tradução da Sociedade das Ciências Antigas (SCA) publicada pela Editora Martins Fontes. As tabelas postadas no formato de imagem também se encontram neste livro. O livro ABC do Ocultismo pode ser adquirido no site da própria editora.

Para o martinista, é inútil demorar-se sobre o começo dos estudos psíquicos. Enquanto os homens da ciência ou os chamados espíritos "positivos" que se iniciam nos estudos do Ocultismo passam a maior parte de seu tempo tentando saber se os fenômenos de magnetismo e mediunidade são exatos, o martinista considera isso como dado.

Deixa aos outros, portanto, essas discussões infantis sobre a boa fé dos médiuns e sobre o adormecimento real dos sujeitos: ocupa-se com problemas mais elevados.

O que os martinistas precisam é, primeiro, uma ideia geral do Ocultismo, em suas duas principais tradições, a do Ocidente, ou cabalística, e a do Oriente, ou sânscrita, ambas, aliás, oriundas do antigo Egito.

A seguir, precisam de ferramentas positivas para investigar as ciências antigas, de modo que possam verificar os nomes próprios e as palavras sagradas empregadas.

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Trecho do livro "Homem: Sua Verdadeira Natureza - Sobre o Homem" de Louis-Claude de Saint-Martin.

Nunca devemos pedir a Deus algo que pertença a este mundo, pois tudo aqui é contável e limitado, sendo impossível que todas tenham lucro; e se um é beneficiado com uma grande parte, outro deve, necessariamente, sofrer privações. Isto mostra o quão alheia eram as posses para o código primitivo, e que o preceito Evangélico, assim como a renúncia aos bens materiais, está intimamente ligada as próprias e fundamentais bases da verdadeira justiça.

Ao contrário, devemos clamar incessantemente por coisas do mundo real e infinito no qual nascemos, porque nada daquele mundo pode chegar ao homem sem abrir caminho para que desça sobre todos.

Nas orações recomendadas por Deus ao homem, a primeira coisa a que se deve rogar a Ele e a seu Reino, é que ele venha até nós; só após isto é que o Homem será lembrado.

O que se pede ao Homem é que de modo algum peça por coisas terrestres; o pão de cada dia de que se fala, não é nosso alimento elementar, pois o Homem tem mãos para trabalhar e a terra para cultivar, somos proibidos de cuidar das necessidades de nossos corpos, como fazem os pagãos. Este pão de cada dia, que deve ser adquirido através da doçura do semblante, é o pão da Vida, que Deus distribui às suas crianças diariamente, e o único que pode ajudar a desenvolver a nossa obra. Finalmente, pedimos o perdão de nossos pecados e para que nos afaste da tentação.

Tudo nesta oração é Espírito, tudo é caridade divina, pois seu objetivo é, de modo geral, fazer com que o pacto divino mantenha a condição em que todas têm que contribuir.

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LefterisTexto do Irmão Sâr Jetro R+C, publicado originalmente no Santuário da Gnose e repostada pelo Frater Goya em seu site, Círculo Iniciático de Hermes.

Até os dias de hoje, muito pouco, ou quase nada, foi escrito sobre a historia do desenvolvimento do Martinismo no Brasil. Apenas alguns fragmentos, aqui e acolá, nas velhas bibliotecas particulares de uns raros iniciados ou contada de boca-a-ouvido. Reconstituir essa história é uma tarefa difícil e demorada na qual nos empenhamos, sabendo desde já que uma grande nebulosa cobre o passado das Sociedades Secretas.

Logo após a grande expansão do Martinismo no mundo, dada por Gerard Encausse - PAPUS, encontramos registros de uma primeira Delegação Nacional para o Brasil, através de uma Carta Patente nº 141, dada pelo próprio Papus, em 1904, a um de seus Iniciados: Dario Vellozo. O poeta, filósofo e professor Dario Vellozo, de nome simbólico APOLÔNIO, nascido em 26 de novembro de 1869, desenvolveu na cidade de Curitiba um trabalho pioneiro mas efêmero de divulgação do Martinismo, tendo dedicado-se principalmente ao seu "Instituto Neopitagórico", instituição iniciática ainda existente que se dedica aos estudos filosóficos nos moldes dos antigos gregos.

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hipocrisia_

Texto de René Guénon, retirado de uma publicação no blog Rosacruzes.

Já dissemos alhures, que existe um fenômeno que poderíamos chamar de "contra-iniciação", ou seja, uma coisa que se apresentaria como uma iniciação e que até mesmo pode dar a ilusão de ser verdadeiramente uma iniciação, mas que segue o caminho inverso da verdadeira iniciação.

Não obstante, comentamos, que esta designação exige algumas reservas; o fato é, que se tomássemos no sentido estrito, poderíamos criar a crença de uma espécie de simetria, ou por assim dizer de uma equivalência (ainda que no sentido inverso), que, sem duvida, forma parte das pretensões dos que se ligam a aquilo que tratamos aqui, e que não existe e não pode existir na realidade.

Sobre este ponto convém insistirmos especialmente, já que muitos, deixam-se enganar pelas aparências, imaginam que há no mundo duas organizações opostas que disputam a supremacia, concepção errônea que corresponde a aquela, que na linguagem teológica, põe Satã no mesmo nível de Deus, e que, com ou sem razão, se atribui comumente aos Maniqueus.

Esta concepção, conforme assinalaremos em seguida, vem a ser, o mesmo que afirmar uma dualidade radicalmente irredutível, ou em outros termos, negar a Unidade suprema que está além de todas as oposições e antagonismos; uma negação assim, é tema dos mesmos aderentes a "contra-iniciação", e algo que não nos deve surpreender; mas isso mostra ao mesmo tempo que a verdade metafísica, até nos seus princípios mais elementares, é para eles totalmente estranha, e por isso sua pretensão se aniquila sozinho.

Importa-nos assinalar, antes de mais nada, que, em suas próprias origens, a "contra-iniciação" não pode apresentar-se como algo que surgiu de forma independente e autônoma: se houvesse constituído-se espontaneamente, não seria nada mais que uma invenção humana, e não se distinguiria assim da pura e simples "pseudo-iniciação".

Para que seja mais que isso, e de fato ela é, é necessário que, de certo modo, proceda da fonte única que se liga toda a iniciação, e, mais genericamente, a tudo que manifesta em nosso mundo num elemento "não-humano" procedente dela, se manifestando por uma degeneração que chega até a uma "inversão" que constitui aquilo que podemos chamar propriamente de "satanismo". Se vê pois que, de fato, se trata de uma iniciação desviada e desnaturada, e que, por isso mesmo, não tem direito de ser qualificada verdadeiramente de iniciação, posto que não conduz ao fim essencial desta, e inclusive faz distanciar o ser dela em vês de aproxima-lo.

Não basta pois, falarmos aqui de uma iniciação truncada e reduzida a sua parte inferior, como pode ocorrer também em certos casos; a alteração é muito mais profunda; mas há nela, entretanto, como dois estados diferentes num mesmo processo de degeneração. O ponto de partida é sempre uma rebelião contra uma autoridade legítima, e uma pretensão de uma independência que não poderia existir, como tivemos a oportunidade de explicar num outro momento(1); disso resulta imediatamente a perda do contato efetivo com um centro espiritual verdadeiro e, portanto, a impossibilidade de alcançar os estados supra-individuais; e, naquilo que todavia ainda subsiste, o desvio não poderia ir mais que agravando-se seguidamente, passando por graus diversos, para chegar, nos casos extremos, até esta "inversão" da qual acabamos de falar.

Uma primeira conseqüência disto, é que a "contra-iniciação", quaisquer que possam ser as suas pretensões, não é na verdade mais que um beco sem saída, já que é incapaz de conduzir o ser, a mais adiante da condição humana; e é neste estado mesmo, pelo fato de sua "inversão" que a caracteriza, desenvolve modalidades que são as de ordem mais inferiores. No esoterismo islâmico, se diz que quem se apresenta diante de certa "porta", sem ter chegado a ela por uma via normal e legítima, vê esta porta se fechando diante dele, e é obrigado a voltar atrás, porém, não como um simples profano, o que agora adiante é impossível, mas sim como sâher (bruxo ou feiticeiro). Não poderiam ter expressado com maior nitidez sobre aquilo que tratamos.

Outra conseqüência, em conexão com a anterior, é que, ao fazer-se quebrada a conexão com o centro, a "influencia espiritual" se perde; e isto já basta para que mostre, que aqui não trata-se realmente de iniciação, posto que esta, como explicamos anteriormente, está essencialmente constituída pela transmissão desta influência. Não obstante há todavia, algo que se transmite, sem o qual, falaríamos de novo da "pseudo-iniciação" desprovida de toda a eficácia; mas não se trata mais de que uma influência de ordem inferior, "psíquica" e não "espiritual", e que abandonada dessa maneira, sem o controle de um elemento transcendente, toma de certo modo inevitavelmente um caráter "diabólico" (2).

É fácil compreender, entretanto, que esta influencia psíquica pode imitar a influência espiritual em suas manifestações exteriores, ao ponto de aqueles que se detém nas aparências, chegam a equivocar-se à respeito, pois a primeira origina-se na mesma ordem de realidade, na qual se produzem estas manifestações (não se diz proverbialmente, e num sentido comparável a este, que "Satã é o imitador de Deus"?); e que a imitam, poderíamos dizer ainda que da mesma forma, os elementos evocados pelo necromante imitam um ser consciente evocado no outro caminho(3).

Este fato, diga-se de passagem, demonstra que alguns fenômenos idênticos entre si, podem diferir completamente em suas causas profundas; e aqui se acha uma das razões pelas quais convém do ponto de vista iniciático, não conceder nenhum valor a tais fenômenos, porque, quaisquer que fossem, nada podem provar à respeito da questão da pura espiritualidade.

Dito isto, podemos precisar os limites dentro os quais a "contra-iniciação" é suscetível de opor-se a verdadeira iniciação: é evidente que estes limites são os do ser humano com suas múltiplas modalidades; dito de outra maneira, a oposição não pode existir senão no domínio dos "pequenos mistérios", enquanto que o dos "grandes mistérios", que se refere aos estados supra-humanos, está por sua mesma natureza, além de tal oposição, pois este está inteiramente fechado a tudo o que não é conhecido como verdadeiro na iniciação, segundo a ortodoxia tradicional (4).

Ao que se refere aos "pequenos mistérios", haverá, entre a iniciação e a "contra-iniciação", esta diferença fundamental: numa, não será mais que uma preparação para os "grandes mistérios"; na outra, se tornarão forçosamente como um fim em si mesmos, ao estar proibido o acesso aos "grandes mistérios". Entretanto podem ter muitas outras diferencias com um caráter mais específico; mas não entraremos aqui nestas considerações de importância muito secundária, do ponto de vista no qual nos situamos, e que exigiriam um exame detalhado de toda a variedade de formas que pode revestir a "contra-iniciação".

Naturalmente, pode ser que possam constituir-se centros nos quais estarão conectadas as organizações que dependem da "contra-iniciação"; mas se tratará de centros unicamente "psíquicos", e não de centros espirituais, ainda que aqueles possam, em razão do que indicávamos mas acima como ação das influencias correspondentes, tomar mais ou menos, completamente suas aparências exteriores.

Por outra parte, não haveria que surpreender-se de que esses próprios centros, e não somente algumas das organizações que lhes estão subordinadas, possam encontrar-se, em muitos casos, em luta uns com os outros, porque o domínio no qual se situam é aquele no qual todas as oposições se dão em livre curso, quando não são harmonizadas e reconduzidas a unidade pela ação direta de um principio de ordem superior.

Disto resulta que, pelo que concerne as manifestações desses centros ou dos que deles emanam, uma impressão de confusão e de incoerência que não é ilusória; eles não se põem de acordo mais que negativamente, e assim se pode dizer, para uma luta contra os verdadeiros centros espirituais, na medida em que estes se mantenham em um nível que permita que uma luta assim ocorra, ou seja, segundo o que acabamos de explicar, no que se refere ao domínio dos "pequenos mistérios" exclusivamente.

Tudo o que se refere aos "grandes mistérios" está isento de tal oposição; e, com maior razão, o centro espiritual supremo, fonte e principio de toda iniciação, não poderia ser alcançado ou afetado em algum grau por nenhuma luta que fosse (e por isso se lhe chama "inacessível a violência"); isto nos leva a precisar todavia outro ponto que é de uma importância muito particular.

Os representantes da "contra-iniciação" tem a ilusão de opor-se a autoridade espiritual suprema, na qual nada pode opor-se em realidade, pois é bem evidente que então não seria suprema: a supremacia não admite nenhuma dualidade, e uma suposição assim é contraditória em si mesma; mas a ilusão deles vem de que não podem conhecer sua verdadeira natureza.

Podemos ir mais longe: apesar de tudo, sem saber eles estão na realidade subordinados a essa autoridade, do mesmo modo que, como dizíamos precedentemente, tudo está, mesmo que inconsciente e involuntariamente, submetido a Vontade divina, e nada pode subtrair-se disso.

São pois utilizados, por mais que não queiram, na realização do plano divino no mundo humano; jogam nele, como todos os demais seres, o papel que convém a sua própria natureza, mas no lugar de serem conscientes deste papel como o são os verdadeiros iniciados, se enganam a si próprios, e de uma forma que é a pior que a simples ignorância dos profanos, posto que, no lugar de deixar-los de certo modo no mesmo ponto, esta tem por resultado deixa-lo mais longe do centro principal.

Mas, considerando-se as coisas, não com respeito a estes próprios seres, mas sim em relação ao conjunto do mundo, deve dizer que, de igual a todos os demais, eles são necessários no lugar que ocupam, no entanto os elementos desse conjunto, e como instrumentos "providenciais", se diria em linguagem teológica, da marcha do mundo em seu ciclo de manifestação; estão pois, numa última instancia, dominados pela autoridade que manifesta a Vontade divina ao dar a este mundo sua Lei, e que o faz servir apesar disto para seus fins, devendo concorrer necessariamente em todas as desordens parciais da ordem total.

Mesr, 11 Ramadâ 1351 H. [1933].

NOTAS:
(1). Ver a Autorité spirituelle et pouvoir temporel.
(2). Segundo a doutrina islâmica, é pela nefs (a alma) que Shaitan pode prender o homem, enquanto que pela rûh (o espírito), cuja essência é pura luz, está além de seus ataques; é entretanto por isso porque a "contra-iniciação" em nenhum caso poderia tocar o domínio metafísico, que lhe está proibido pelo seu caráter puramente espiritual.
(3). A este respeito a nossa obra sobre L'Erreur spirite. (4). Se nos tem reprovado não haver tido em conta a distinção entre os "pequenos mistérios" e os "grandes mistérios" quando falamos das condições da iniciação; sucede que esta distinção não tem que intervir então, já que considerávamos a iniciação em geral, e que de outra parte não há nela mas que diferentes estados ou graus de uma só e mesma iniciação.
Artigo publicado em "Le Voile d'Isis" e não recopilado posteriormente. Parte do conteúdo foi retomado no Reino da quantidade e os signos dos tempos, cap. XXXVIII.

Se uma Ordem contra-iniciática se aproximasse de você e lhe propusesse filiação, você saberia, à luz desta lição, distingui-la de uma organização séria e identificar os riscos à sua vida?

Trecho do livro "Homem: Sua Verdadeira Natureza - Sobre o Homem" de Louis-Claude de Saint-Martin.

seivaQual é a verdadeira seiva que deve levar consigo, em seu curso, todas as coisas? Você que aspira ser admitido no grau dos trabalhadores do Senhor, sabe qual é.

Você sabe que ela deve animar suas próprias essências e que ela flui da eterna Geração Divina.

Você sabe que ela não pode circular em si sem retraçar a própria Geração Divina eterna.

Você sabe que até mesmo a menor parte de seu ser deve ser vivificada por esta seiva.

Você sabe que o poder desta seiva vivifica e rege todas as regiões espirituais, assim como as estrelas, animais, plantas e todos os elementos visíveis ou invisíveis.

Você sabe que o que ela faz por todas as coisas, ela tem o direito de fazer pelo homem, se ele não se opusesse.

Portanto se apresente ao Princípio eterno desta seiva fecundante e diga: "Oh, Autor Supremo de todas as coisas, não permita que tua imagem seja degradada e caia na futilidade. Toda a Natureza experimenta contínua e diretamente os efeitos de tua seiva, e não é, nem por um instante, privada de sua ação vivificante; o Homem não está sujeito à tua imagem por ser menos favorecido que a Natureza e outras criaturas feitas por ti; faça-o tomar parte do mesmo benefício; permita-o ser reconciliado com tua Unidade universal e, a partir de então, como tu, ele jamais se movimentará sem que o universo visível e invisível se movimente com ele; ele não irá se mexer sem estar rodeado de agentes que o tornarão um participante de tua Glória e poder".

Isto, Oh Homem de Desejo, é o objetivo ao qual todos os seus esforços devem tender. Você tem em si a porta pela qual esta seiva deve entrar. Se você compreender isto, como uma ajuda espiritual humana, ou que por força das circunstâncias, todas as outras portas estão fechadas a ti, alegre-se por isto, pois é prova que o Pai Supremo pode, assim, lhe forçar a olhar por esta porta sagrada, onde Ele espera por você, e pela qual Ele lhe dará acesso às maravilhas que lhe são preparadas.

Agora, estas maravilhas envolvem o círculo universal de tudo, que já foi o alicerce de teu império; e uma prova de que todos os poderes, visíveis e invisíveis, estavam presentes na ocasião de seu nascimento primitivo, é que eles estão sensivelmente presentes em sua regeneração, e cada um faz a sua parte nesta regeneração. Assim, se Deus deseja que todos os segredos sejam descortinados ao Homem, o que há de permanecer oculto a nós? Tão logo olharmos Deus dentro de nós, veremos nele todas as regiões.