300px-Ary_Scheffer_-_The_Temptation_of_Christ_(1854)Um conto de Eliphas Levi, em seu livro "A Ciência dos Espíritos".

Jesus atravessou os campos desolados da Judéia e parou no cimo árido do antigo Calvário.

Lá um anjo com sobrancelhas negras e olho sombrio estava sentado, envolvido em suas duas vastas asas. Era Satã, o rei do velho mundo.

O anjo rebelde estava triste e cansado, e desviava o olhar com desgosto de uma terra onde o mal estava sem talentos e onde o aborrecimento de uma corrupção tímida sucedera aos combates titânicos das grandes paixões antigas. Ele sentia que experimentando os homens instruíra os fortes e enganara apenas os fracos; também já não se dignava a tentar ninguém, e sombrio, sob seu diadema de ouro, escutava vagamente caírem as almas na eternidade, como as gotas monótonas de uma chuva eterna.

Possuído por uma força que lhe era desconhecida, viera sentar-se no Calvário e, lembrando a morte do Homem-Deus, estava com inveja.

Era um anjo poderoso e belo; mas estava com inveja do Cristo, e essa inveja era figurada por uma serpente que mergulhava a cabeça em seu peito e carcomia seu coração.

Jesus e Maria estavam em pé perto dele e olhavam-no em silêncio, com grande piedade. Satã olhou por sua vez o Redentor e sorriu com amargura.

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Coluna com traduções dos textos do blog do Sam Robinson. Esta é uma tradução do artigo “Are The Rosicrucians Really Christians?” realizada por Jeff Alves.

Vamos esclarecer o assunto de uma vez por todas: São os Rosacruzes Cristãos ou Não?

Depois de anunciar a minha intenção de analisar todas as Ordens Rosacruzes no meu último post no blog, alguns objetivos também foram claramente definidos, a fim de concluir o processo. O primeiro desses objetivos é determinar a verdadeira natureza da Ordem Rosacruz. Afinal como é que alguém pode esperar avaliar claramente as diversas linhagens sem ter algum tipo de fator de medição através do qual poderá julgá-los?

Apenas para recapitular, vou analisar cada ordem, premiá-las com uma classificação por estrelas e um sistema de pontos, baseados em seus méritos, ensinamentos e espírito de comunidade. Elas estão indo para serem colocadas sob o microscópio.

JUDGEMENT-DAY (1)

Temos que retornar às fontes originais que inspiram o movimento, particularmente os manifestos Rosacruzes do início de 1600 em diante. Diversos símbolos e ordens podem provar sua validade indo para 1700, numa época em que a alquimia ainda era praticada e os ideais Rosacruzes originais ainda estavam frescos em suas mentes europeias. Hoje o que vamos focar é um argumento frequentemente aquecida, a respeito do verdadeiro núcleo dos ensinamentos Rosacruzes; são os Rosacruzes realmente cristãos?

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historia-do-cristianismoO CRISTIANISMO E O CATOLICISMO OU IGREJISMO
(Extraído do Livro: O Ministério do Homem Espírito, de Louis Claude de Saint Martin)

“A principal reprovação que apresento contra eles é que a cada passo, confundem Cristianismo com a Igreja (Catolicismo). Vejo frequentemente, célebres mestres literários atribuírem à religião obras de famosos Bispos que muitas vezes se desviam enormemente do espírito do Cristianismo. Vejo outros num momento, sustentarem a necessidade dos mistérios (sacramentos, etc.) em outro, tentarem explicá-los afirmando, mais uma vez que a demonstração de Tertuliano sobre a trindade pode ser compreendida até pelos mais simples. Vejo como se vangloriam da influência do Cristianismo na poesia, ainda que concordem em alguns casos, que a poesia se alimente do erro! Vejo como se desorientam com relação aos números rejeitando, com razão, as especulações fúteis que emergiram do abuso desta ciência, afirmando que o três não é engendrado, que segundo a expressão atribuída à Pitágoras, este número deve existir sem uma mãe, enquanto que a geração de nenhum número é mais evidente que a geração do número três; o dois é claramente sua mãe, em todas as ordens, natural, intelectual ou Divina; a diferença é que na ordem natural, esta mãe engendra a corrupção, assim como o pecado engendrou a morte; na ordem intelectual, engendra variabilidade, como podemos observar pela instabilidade de nossos pensamentos; na ordem Divina, engendra a fixidez, com é reconhecida na Unidade Universal. Em resumo, apesar do brilhante efeito que suas obras possam produzir, não consigo encontrar aquele alimento substancial que a inteligência exige, a saber, o verdadeiro espírito do Cristianismo, encontro, sim, o espírito do Catolicismo. Ora, o verdadeiro Cristianismo é anterior, não só ao Catolicismo, mas ao próprio nome Cristianismo que não é encontrado nos Evangelhos, embora o espírito deste nome esteja bem claramente expressado e consiste, de acordo com João (I.12) no poder de se tornarem filhos de Deus ; o espírito dos filhos de Deus, ou dos Apóstolos de Cristo, que acreditaram nele, é mostrado, segundo Marcos (XVI. 20) pelo Senhor agindo com eles e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.Neste ponto de vista, estar verdadeiramente no Cristianismo, seria estar unido com o Espírito do Senhor e ter completado ou consumado nossa aliança com Ele. A este respeito, o verdadeiro caráter do Cristianismo não seria tanto o de se tornar uma religião e sim o de ser um termo e ponto de repouso de todas as religiões e de todos aqueles laboriosos caminhos pelos quais a fé dos homens e suas necessidades de serem purificados de suas manchas, os obrigam a caminhar diariamente. É notável que, em todos os quatro Evangelhos, fundados no Espírito do verdadeiro Cristianismo, a palavra religião não é encontrada nem uma só vez; e nos escritos dos Apóstolos, que completaram o Novo Testamento é encontrada somente cinco vezes. A primeira vez que a palavra religião aparece é em “Atos dos Apóstolos” (XXVI.5 [da versão inglesa; também, Gl.I.13,14]) quando se fala da religião judaica. A segunda vez é em Colossenses (II.18) quando o Apóstolo casualmente condena o culto aos anjos. Na terceira e quarta vez, aparece em São Tiago (I.26,27) onde ele diz simplesmente: “Se alguém pensa ser religioso, mas não refreia a sua língua, antes se engana a si mesmo, saiba que a sua religião é vã”, e “A religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: em assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e em guardar-se livre da corrupção do mundo”; estes são exemplos em que o Cristianismo parece se inclinar mais à sua sublimidade Divina ou condição de repouso, do que se revestir daquilo que costumamos chamar de religião. Portanto, há diferenças entre Cristianismo e Catolicismo: Cristianismo nada mais é do que o espírito de Jesus Cristo em sua amplitude, depois que este terapeuta Divino escalou todos os passos de sua missão, que teve início com a queda do homem, quando prometeu que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. O Cristianismo é o complemento da pregação de Melchisedek; é a alma do Evangelho; o Cristianismo faz com que as águas vivas, de que as nações têm tanta sede, circulem no Evangelho. O Catolicismo (a Igreja), ao qual pertence o título de religião, é uma espécie de esforço e tentativa de se chegar ao Cristianismo. O Cristianismo é a religião da emancipação e da liberdade, o Catolicismo é apenas o seminário do Cristianismo, a região das regras e disciplina para o neófito. O Cristianismo enche toda a terra com o Espírito de Deus. O Catolicismo enche apenas uma parte do globo embora se intitule universal.

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 16 Deus, pois, fez os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; fez também as estrelas.

Comentário: O Sol que é o masculino, ou Yang, e a Lua que é feminino, ou Yin. A Lua diminuiu sua luz original e assim teve uma influência qlifótica, atraindo homens na noite para seus desejos inconscientes. A loucura é provocada por ela, a Lua, e os desejos sensuais e contatos com demônios se devem a ela, ou a sua modificação, uma vez que de início, segundo uma certa tradição, estaria unida ao Sol. Adão depois terá uma relação com esses espíritos lunares (demônio feminino Lilith). Por isso que nasceram seres espirituais negativos tanto antes de conhecer Eva, como depois, onde ficou Adão 130 anos sem ela, quando da morte de Abel. O que a tradição ocultista chama de criação de súcubos. Estrela é uma faculdade virtual.

17 E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra,

Comentário: A expansão etérea para que se espalhasse a Inteligência (Nous).

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bibliaEquívocos

Eu estava vendo alguns vídeos na rede e me surpreendeu um certo ministro de igreja, ou de seita, que dizia que católicos, judeus e outros não seguiam a Bíblia, mas outros livros. Esse absurdo era pouco explicado, mas na sua oratória de enrolação e cara de intelectual (o homem usava óculos...), ele continuava com o disparate e defendia uma espécia de bibliolatria. Claro que Judeus tem sua fonte primeira na Torá, que seria o Antigo Testamento (ou Tanach), e Católicos tem a Bíblia como central, apenas a interpretando no Catecismo e tendo ainda a teologia com contribuição de filósofo Tomás de Aquino, mas são interpretações. O mesmo se diga do Talmud e Midrash, que são interpretações e releituras da Bíblia Hebraica, e não livros que substituem a Torá, como disse o referido ministro religioso. Também o Zohar comenta a Bíblia, mas esse em sentido místico ou da cabala. Mas ele não tocou no lado esotérico desse livro, e assim cairia a carapuça dos ataques.

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spedro2Há uma doutrina antiga, a das “duas igrejas” ou das “duas épocas“, que ensina o fim da Igreja de Pedro, a do papado, pela Igreja de João, a do discípulo amado que, inclinado sobre o seu peito, ouviu as batidas de seu coração. Assim, a igreja de Pedro, o exoterismo, daria lugar à igreja de João, o esoterismo.

Esoterismo, com “s”, designa um um conhecimento especial que é reservado, restrito a um grupo de pessoas que se mostraram merecedoras de recebê-lo; que passaram por um processo iniciático. Trata-se de uma abordagem mais profunda que não se restringe à esfera puramente intelectual, exigindo uma preparação interior para ser apreendida em todo o seu alcance. Já o termo exoterismo, com “x”, quer dizer uma massa de informações de ampla difusão, não tão profunda e acessível a toda e qualquer pessoa (Domínio da Vida, AMORC).

Podemos entender que a igreja de Pedro é constituída pelas igrejas que somos habituados a ver e conhecer, já a igreja de João é mais restrita, alguns diriam discreta ou secreta. Mas qual a base para esta restrição?

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