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Texto de Mestre Nebo, traduzido pelo Irmão Grpp, publicado originalmente na página Ordem Martinista Brasil, em 08 de março de 2015.

Claudina Teresa Willermoz foi uma das iniciadas na Ordem dos Elus Cohen do Universo, através de seu irmão Jean Baptiste Willermoz (Fundador do Rito Escocês Retificado) que trocou cartas sobre o assunto com seu Mestre Pasqually (Fundador da Ordem dos Elus Cohen), entre os anos de 1771 e 1773, transmitidas ao Mestre através de seu secretário Saint-Martin. Pelo que sabemos Claudina não teria avançado além do grau de Mestre Eleito Cohen.

Dentre as iniciadas na Ordem, já foram relatadas por Van Rejnberk os nomes:

Da Senhora Lusignan, em Paris;

Da Senhora de Provenzal, Senhorita de Brancas e da Senhora Coalin, em Lyon;

Da Senhora Delobaret (viúva de Martinez) em Bordeaux;

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CAPÍTULO 1

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

5 a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele.

8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.

9 Pois a verdadeira há consentido no conselho e nos atos dos chegando ao mundo.

10 Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu.

Comentário: a Palavra (Logos) é a espada de Cristo, por onde as coisas surgiram em emanação primeira. Assim todo o átomo e mesmo desde a mônada, houve a penetração dessa vitalidade. Esse Logos é um Espírito, que é o Cristo Cósmico e Místico, e encarna através da Virgem (a matéria), assim que vem como Espírito Santo. Ademais, o Logos-Solar ou Cristo-Solar se encarna na constelação de Virgem, e por isso a criança é para ser degolada por Herodes (o Logos ser degolado pela matéria). O Logos é assim crucificado na cruz da matéria, ou seja, nos quatro elementos. Também é ao mesmo tempo o homem celeste, o Novo Adão, que está crucificado no Universo. Já tratamos dele como as esferas da Árvore da Vida, e assim guarda as emanações de Deus, do Altíssimo, Grande Rosto. Essa encarnação não pode ser conhecida sem a iluminação, segundo Jacob Böehme, não bastando mero estudo das Escrituras. É o Homem-Deus, como se referem os Martinistas. A árvore é Cristo e o ramo é Jesus. Volta à lição de Angelus Silésius. Essa palavra também nos leva ao mundo da Imagem Verdadeira, ao paraíso, segundo Taniguchi. Pelo Logos solar que as coisas foram feitas e existem, e do Sol (Universal) que veem e para onde retornam. Aqui se incluem a Criação dos anjos e hierarquias celestes, pois o Adão antes da queda possuía a “vestidura de luz”, era um com Cristo, e assim ordenava e dominava os animais (seres viventes, aves do céu, anjos, hayot etc). O Novo Adão ou Cristo é o Salvador, que livra da escravidão do materialismo e ego (Diabo). Deus tornou-se homem para restaurá-lo, segundo Böehme. E os anjos caídos e Lúcifer teriam um papel de fogo, sendo tal fogo uma relação com a serpente astral, luz astral inferior. A falta de castidade levando a se perder na nona esfera da árvore da vida, encontrando assim a árvore da morte, demoníaca. A queda é uma queda dimensional, e o Verbo lembra que as coisas foram feitas perfeitas. O testemunho da luz é de Cristo, de sua vestidura de luz, aquele “corpo glorioso” a que ainda teremos. Como já falei em livro “Bíblia e Misticismo”, o Verbo é muito um som, um mantra primordial. E cada Era ou Aeon tem sua “Palavra”.

11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

12 Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;

13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

15 João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia.

16 Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça.

Comentário: o nome é Yeheshua, que é uma referência ao nome divino de Jesus. É o nome de Deus, o tetragrama, adicionado da letra Shim, que significa a descida do Espírito Santo. João é a porta estreita, é um dos messias, dos dois a que a tradição dos essênios e as messiânicas já esperavam. Uma porta triangular para a iniciação. João é ao mesmo tempo o passado e o futuro, e assim também um João escreveu o livro do Apocalipse ou Revelação. Um dos dois messias teve sua vida mais exposta, e entre eles trocavam ensinamentos e acabou o Verbo se fazendo carne, na forma de Cristo Interno, naquele batismo de fogo. A pessoa de João fez o batismo de água, que era a iniciação. João é também o João interno, segundo Pistis Sophia, e assim é a reencarnação do Elias. João sendo o precursor, aquele que prepara o caminho do Cristo Íntimo, segundo Samael Aun Weor. O iniciado desce assim ao inferno, semelhante a o que fez o Cristo, antes de encontrar o Reino. Sobre o Verbo se fazer carne, disse Böehme: “Quando o Verbo se colocou em movimento para a revelação da vida, ele se revelou na essencialidade divina, na água da vida eterna; ele a penetrou e se tornou súlfur, ou seja, carne e sangue; produziu a tintura celestial, que envolve e preenche a Divindade, onde a sabedoria de Deus permanece eternamente com a magia divina. Compreenda corretamente: A Divindade desejou tornar-se carne e sangue; embora o puro e imaculado Deus permanece espírito, tornou-se o espírito e a vida da carne, operando na carne; assim, quando penetramos, através de nosso desejo, em Deus, nos doando totalmente a ele, podemos dizer que penetramos a carne e sangue de Deus, vivemos em Deus, pois o Verbo se fez homem e Deus é o Verbo” (A Encarnação de Jesus Cristo). Portanto, necessária se faça a “reintegração” a Cristo, que esteve também no ramo do adepto Jesus, para nos mostrar o caminho e revelar a verdade. Carne não significa apenas o corpo, mas a dimensão da matéria como um todo.

17 Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

18 Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.

19 E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?

20 Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo.

21 Ao que lhe perguntaram: Pois que? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não.

22 Disseram-lhe, pois: Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?

23 Respondeu ele: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

Comentário: Não se pode ver a Face senão através de seu anjo, Metraton, que em muito se identifica com o Cristo. Esse é o Grande Rosto, onde está o Pai, o Ancião dos Dias, e que está acessível através da esfera da árvore da vida de tipharet, ou Cristo. O Cristo que existe em cada um de nós pode por fim revelar o Pai, e esse encarna, ressuscita e sobe ao céu. Perguntar pelo seu paradeiro é uma forma profana de reagir, uma vez que renascemos em Cristo. Não se trata apenas de um homem como insistimos em refletir nessa obra. Cristo é Heli, o homem primordial, segundo Pasqually. Entende Vicente Velado: “Não se pode confundir o veículo físico chamado Jesus com o Cristo Cósmico nele manifestado”.

24 E os que tinham sido enviados eram dos fariseus.

25 Então lhe perguntaram: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

26 Respondeu-lhes João: Eu batizo em água; no meio de vós está um a quem vós não conheceis.

27 aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia da alparca.

28 Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

Comentário: O João era o próprio messias, um dos dois, e assim oculto, uma porta ou portal. O batismo é uma purificação, exigência de iniciação.

29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

30 este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia.

Comentário: Uma simbologia messiânica. O Cristo é sacrificado na semelhança do cordeiro, pois em toda a páscoa o Logos-Solar se sacrifica pela natureza, que depois se renova nos 4 elementos. A palavra INRI se refere à renovação pelo fogo e aos 4 elementos. A Era ou Aeon de Áries, o “cordeiro”. Também vemos noutros evangelhos o relato da pescaria, de peixes, que se refere à Era de Peixes. O Cristo-Solar passando pelas constelações e tendo a experiência do Cósmico, bem como em todos nós. Tira o pecado porque o mundo evolui através Dele. O sacrifício de Deus é limitar os Seus poderes no plano material, encarnar. É a Lei do Sacrifício. O mineral se sacrifica pelo vegetal, o vegetal pelo animal, e ambos pelo homem. O homem sacrifica seus animais internos, impulsos, por Deus. E Maimônides fala de cordeiros como vestimentas, que ocultam a sabedoria.

31 Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, é que vim batizando em água.

32 E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

33 Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza no Espírito Santo.

34 Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus.

Comentário: O batismo é a iniciação nos mistérios de Cristo. Não se refere a uma religião, mas a uma vivência interna e cósmica, pessoal (pegar a cruz e segui-lo...). O batismo da água é um grau inicial, já o batismo de fogo é grau avançado. O batismo de fogo é o do Espírito Santo, que dá as 12 faculdades e que possibilita vestir a vestimenta, para assim adentrar nos aeones. A pomba é um animal de Vênus, logo nos leva a pensar na doutrina do amor. Também reflete a paz. Outro símbolo parecido é a fênix, que assim ressuscita de si mesma pelo fogo. O pio pelicano que sustenta seus filhotes com o sangue do peito. O caminho do coração. Bricaud ainda fala no batismo de ar, que estaria junto ao de fogo, chamado consamentum, e pelo qual se torna o homem “filho de Deus”. Sem esse batismo de fogo e ar não se pode entrar no Pleroma. O batismo de fogo e ar se dava na idade mínima de 20 anos.

35 No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos

36 e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus!

37 Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.

38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que buscais? Disseram-lhe eles: rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde pousas?

39 Respondeu-lhes: Vinde, e vereis. Foram, pois, e viram onde pousava; e passaram o dia com ele; era cerca da hora décima.

40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar, e que seguiram a Jesus.

41 Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias (que, traduzido, quer dizer Cristo).

42 E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

Comentário: Hora décima devia ser umas 4 da tarde. Messias é aquele que é ungido. A unção se dava com óleo santo. Pedro é a pedra fundamental do “templo”, e a pedra de tropeço. Refere-se muito a castidade, quando vemos a trajetória dele. O Cordeiro de Deus está sacrificado desde a fundação do mundo.

43 No dia seguinte Jesus resolveu partir para a Galiléia, e achando a Felipe disse-lhe: Segue-me.

44 Ora, Felipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

45 Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.

46 Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê.

47 Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!

48 Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.

49 Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel.

50 Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? coisas maiores do que estas verás.

51 E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.

Comentário: Os 12 Apóstolos são as 12 potestades, que também são interiores ao homem. Eles levam aos 12 aeones e podemos pensar nos mesmos como representantes das 12 tribos de Israel. Outrossim, vemos aqui mais uma vez as 12 constelações do céu, uma referência aos animais sagrados (seres viventes ou hayot), que são descritos em Gênese, Ezequiel e Apocalipse. A relação com os anjos se vê estreita e os poderes celestes e divinos aparecem no Cristo Místico e Mítico. A visão do filho do homem é usar de todas as vestimentas e trafegar pelas dimensões, a “Escada de Jacó”, onde anjos sobem e descem. O Filho do Homem é o homem celeste, Adão Kadmon, que partilha do mesmo símbolo das esferas ou sephirot da árvore da vida. Refere-se ao Cristo Cósmico e Interno, e por isso do céu se abrir, esse que vem na experiência mística da teofania.

(Parte de livro Bíblia e Mistérios)

Texto do Irmão +Tácitus compartilhado originalmente no blog Rosacruzes em 24 de março de 2015.

Todo e qualquer estudante curioso de alguma das ditas ciências ocultas, em determinado momento, se já não se deparou, irá se deparar com o estranho nome PAPUS. Aquele que hoje pertence a qualquer organização de caráter esotérico, ouvirá muito seu nome em diversos temas e, o profundo investigador nesse tema constatará que no misticismo ocidental, talvez seja o nome visto com maior frequência.

O motivo disso? Simples, ao olhar sua vasta bibliografia, a profundidade com que diversos temas foram abordados mas também, pela reputação adquirida por seu conhecimento com sua mente “enciclopédica” perspicaz e sua peculiar capacidade de síntese, fez com que seu nome se espalhasse por toda a Europa e além dela. Somamos a isso seu carisma e magnetismo pessoal como testemunharam seus amigos e irmãos mais próximos por diversas vezes, tornou-se então a referencia mais procurada dentro do meio ocultista e das ordens esotéricas do final do século XIX e início do XX.

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Tradução livre do texto "Ten Reasons Why Public Occultism is Dying", de autoria de Nick Farrell, publicado originalmente em 24 de setembro de 2015 em seu site pessoal.

Os textos do Ocultismo Popular estão na parede. Seus dias de glória estão em excesso e até mesmo aqueles que estão tentando manter as luzes acesas estão encontrando dificuldades para pagar a conta de energia. 

Eu tenho estado quieto ultimamente porque eu tenho tido algumas descobertas que me forneceram todas as respostas que eu necessitei fazer o trabalho mágico e o porquê não fiz. Isso é muito grande, mas ao contrário das outras revelações que eu tendo a compartilhar com a comunidade ocultista mais ampla, eu não tenho muito impulso para compartilhar qualquer coisa fora da minha própria ordem mágica. É o tipo de coisa que eu vou insinuar se escrever meus livros, mas eu realmente não sinto vontade de fazer isso no momento.

A razão é que, assim como muitas pessoas que seguiram o ocultismo durante o último século, eu tenho trabalhado fora dos dias de ocultismo popular de grande escala.  O "material real" pode continuar, mas vai ser ainda mais exclusivo do que tem sido. A grande experiência no ocultismo semi-público iniciado pela Golden Dawn foi um fracasso. A ideia de que se colocarmos informações lá fora a humanidade trabalhará nela e ver como ela se desenvolve é uma falácia. Acontece que a magia que é tão livremente disponível, não é a coisa real em tudo. Tudo que um livro ou uma página da web pode apresentar é um fato ou uma opinião - uma sombra na parede. Não nos faz os cantores das palavras tecidas que possuem seu próprio livro de culinária tornando-nos um grande cozinheiro chefe.

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Trecho do livro ABC do Ocultismo, de Papus. Utilizamos aqui a tradução da Sociedade das Ciências Antigas (SCA) publicada pela Editora Martins Fontes. As tabelas postadas no formato de imagem também se encontram neste livro. O livro ABC do Ocultismo pode ser adquirido no site da própria editora.

Para o martinista, é inútil demorar-se sobre o começo dos estudos psíquicos. Enquanto os homens da ciência ou os chamados espíritos "positivos" que se iniciam nos estudos do Ocultismo passam a maior parte de seu tempo tentando saber se os fenômenos de magnetismo e mediunidade são exatos, o martinista considera isso como dado.

Deixa aos outros, portanto, essas discussões infantis sobre a boa fé dos médiuns e sobre o adormecimento real dos sujeitos: ocupa-se com problemas mais elevados.

O que os martinistas precisam é, primeiro, uma ideia geral do Ocultismo, em suas duas principais tradições, a do Ocidente, ou cabalística, e a do Oriente, ou sânscrita, ambas, aliás, oriundas do antigo Egito.

A seguir, precisam de ferramentas positivas para investigar as ciências antigas, de modo que possam verificar os nomes próprios e as palavras sagradas empregadas.

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Texto de Acauã Alves Galvão. Os leitores de nosso blog podem enviar seus textos para que possamos publicá-los por aqui. Enviem o texto para o e-mail contato@oalvorecer.com.br.

THELEMA E O ROSACRUCIANISMO

No início do século XX, a Lei da Thelema, sistema de filosofia e magia desenvolvido por Aleister Crowley (1875-1947) – To Mega Therion – teve grande influência filosófica na cultura esotérica, na cultura pop e também foi precursora do pensamento pós-moderno. No meio esotérico, a Lei da Thelema também influenciou outras ordens que não estavam ligadas diretamente a Crowley, ordens ligadas pelo fenômeno da O.T.O. (Ordo Templi Orientis), como a  FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) do Dr. Krumm-Heller (1876-1949) – Mestre Huiracocha – foco do nosso estudo.

Muitos argumentam que os ensinamentos do Dr. Krumm-Heller eram antagônicos com do Aleister Crowley, e que não possuíam nenhuma ligação esotérica, principalmente na questão da magia sexual. Mestre Huiracocha revela que uma das chaves da Magia Sexual é a não ejaculação durante o ato mágico. Em seu livro, Logos Mantram Magia, ele afirma: “declaro que, para mim, a vocalização, o uso dos mantras e a oração, mediante o despertar das secreções sexuais, é o único caminho de chegar a meta, e o resto é, infelizmente, uma perda de tempo”. Diante disso, Peter Koenig, classifica o ensinamento do Dr. Krumm-Heller como Gnosticismo Homeopático; e Gnosticismo Ascético do Samael Aun Weor – aonde evita-se ejaculações, mesmo com a sua esposa – e classifica de Gnosticismo Libertino do Crowley, na qual não há qualquer tipo de proibição quanto ao sexo.

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Aspectos místicos do Natal

“Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1: 26-33).

No dia 25 de Dezembro vemos o tempo da luz, da vida e do amor. Do ponto de vista cósmico o Cristo-Solar nasce no signo de virgo (de uma Virgem) e caminha na noite mais escura do ano no hemisfério norte, a que antigos chamavam de solstício de inverno, sendo Ele a luz do mundo, que supera as dificuldades do inverno e sempre retorna com a fertilidade e boa colheita a cada ano. Nasce assim de forma imaculada, sem nenhum pecado. Comparando a isso, existia uma série de cultos e que tiveram a data de 25 de Dezembro como o nascimento de seus mestres (deuses como Krishna na Índia, Hórus no Egito, Buda, Zoroastro no Irã, Mitra e tantos outros), anunciando assim a salvação de cada Era, presentemente com o maior que conhecemos, Jesus, o Cristo, ou Yeschouá.

Sobre Jesus histórico, não sabemos da data de seu nascimento. Mas muitos dizem que a Igreja usou a data com base na comemoração do Deus romano “Invicto”, o que é apenas suposição, tendo em vista o que vemos sobre a antiguidade da data e aspecto comum em várias nações e crenças. Mas Cristo é crucificado no Equador, e assim o aspecto cósmico ganha ainda mais símbolos. Nasceu assim Jesus quando havia uma treva espiritual, em meio a descrenças e poderes cada vez mais desumanizadores e para revelar o Novo Adão, o Novo Homem que estava por surgir, o qual se pautaria nos seus elevados preceitos morais, antes apenas compreendidos por raros filósofos e iniciados, agora disponíveis a todos os que “buscam” a reintegração com Deus, e a encontram pelo batismo (nas águas que purificam e transformam, na mãe celeste, Virgem Maria, Biná da cabala). Também em Cristo Cósmico vemos o signo estelar de Áries, o cordeiro de Deus, mais uma vez sacrificado no mundo, para a remissão dos pecados e da queda (da esfera cabalística do Reino, que antes estava próxima ao Grande Rosto, a presença do Senhor Pai, Hockmah/Sabedoria da cabala, que caiu de uma esfera espiritual para uma esfera material, Assiah).

O Novo Homem assim renasce e comemora o Natal no seu Cristo Interno, pois é um Cristo em formação. Desta forma, está escrito: “Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um Novo Homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade; e, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Efésios 2: 13-18). E esse é o caminho do místico martinista, pela oração, caridade e compreensão mística desse mistério.

Voltando aos símbolos do Natal, temos a árvore, hoje tão adornada com enfeites, bolas e luzes. Essa árvore pode ser entendida como a árvore da vida, descrita no livro do Gênesis bíblico, e seus enfeites deveriam ser em verdade, frutos. Existia no princípio, antes do mercantilismo, as árvores naturais e onde eram colocadas ou maçãs, ou velas, isso muito antigamente. Isso se deu por herança de tradições alemãs, polonesas e inglesas, e com imigrantes que continuavam a sua tradição de cortar alguma árvore para comemorar o Natal, já no Novo Mundo, na América. Da tradição teutônica ou germânica, sabemos que a comemoração da árvore é anterior, e que leva a árvore sagrada do Deus Odin, o maior do panteão nórdico, o Pai, de sabedoria e outras qualidades extraordinárias, e sua árvore Yggdrasil, que faz sombra ao Universo, sendo a “árvore do conhecimento”, uma árvore assim gigante e dos tempos dos gigantes (nos lembra os personagens do tempo de Noé...). Assim sobre as datas comemorativas, lembra um texto martinista do grupo Hermanubis, disponível na Internet: “Se as pessoas fossem um pouco mais curiosas, observariam que absolutamente nenhuma das festas até hoje comemoradas encontram-se nas escrituras sagradas, e quando existe uma festa com o mesmo nome bíblico, não obedece a prescrição de ser comemorada na data determinada. Por mais que o leitor procure, não encontrará em nenhuma bíblia oficial o dia 25 de Dezembro como data natalícia de Yeschouá o Grande Arquiteto do Universo, ou o dia 31 de Dezembro como um dia que marca para a mudança do ano”. E na Europa anterior ao cristianismo se comemorava a época com fogueiras nas árvores (comemoração do fogo), e com relação às colheitas futuras.

A estrela que guiou os magos até o mestre era uma marca dos magos, ou mesmo simbolizada por um pentagrama, estrela de 5 pontas ou mesmo um hexagrama, de 6 pontas. Seus presentes também tinham simbologia espiritual. Sobre a data, a igreja oriental celebra em 6 de janeiro. E Lucas que citei no início, foi referido em um censo de Quirino, falado em papiros egípcios. Ainda por correção de calendário, seria o nascimento em data de 5 ou 4 a.C. Belém é ponto comum entre Davi e Jesus, e o nascimento assim de um messias teria de ocorrer nessa localidade, já por profecias. A estrela de Belém é assim o Místico Sol da Meia-Noite, a que certos místicos se referiam, que nos traz ao mundo os raios de luz, vida e amor. Assim Cristo é Thifaret da cabala, a beleza divina que une todos os outros atributos da Luz Maior do Pai, sendo representante do adepto, centro da árvore da vida. Disse o Rosacruz Max Heindel: “Ao mesmo tempo devemos exaltar Deus em nossas próprias consciências, aceitando a afirmação bíblica de que Ele é espírito e que não podemos tentar representar a Sua imagem, nem retratá-Lo, pois Ele a nada se assemelha, quer nos céus quer na Terra. Podemos ver os veículos de Jeová circulando como satélites em volta de diversos planetas. Também podemos ver o Sol, que é o veículo visível de Cristo. Mas o Sol Invisível, que é o veículo do Pai e fonte de tudo, este só pode ser visto pelos maiores clarividentes e apenas como a oitava superior da fotosfera do Sol, revelando-se como um anel de luminosidade azul-violeta por trás do Sol. Mas nós não precisamos vê-Lo. Podemos sentir Seu amor e essa sensação nunca é tão grande como na época do Natal, quando Ele nos está dando o maior de todos os presentes: o Cristo do novo ano”.

 

O Natal envolve esse segredo solar, e vemos o nascimento de Cristo como proveniente desse significado cósmico, naquele Sol que em certo momento está em ângulo com constelação de Virgem, passa pela constelação de Peixes, cujo símbolo vemos em adesivos colados em carros, passa pela constelação de Cordeiro (Áries) e vence o sinistro inimigo, o bode (constelação de Capricórnio). Assim vemos todos esses símbolos refletidos no sacrifício anual, em que essa maravilha da Criação, o Sol, nos doa a vida. Recentemente presenciamos um filme sobre Noé, onde percebemos esse Cristo, nos salvando do mundo perdido, através do dilúvio do batismo. Nesse filme mostram Adão e Eva com suas vestes de luz, que teremos um dia de recuperar, sobrevivendo a morte e descobrindo o Reino de sabedoria e a ressurreição da vida eterna. Tudo isso nos foi herdado pela sabedoria gnóstica, de um pequeno grupo cristão excluído de estratégias políticas.

Vemos que mesmo com o Natal de São Nicolau, e de nosso Papai Noel, há ainda um sentimento de alegria, de solidariedade, e de uma luz maior que o comum. Essa iluminação purifica corações, e faz do nascimento do Cristo Interno a igreja verdadeira, aquela que nunca será destruída ou que se corromperá com idolatria. Ao mesmo tempo o Cristo Cósmico que vemos na eternidade, e que morre apenas simbolicamente, para nos deixar a vida eterna e a salvação. Esse Natal pode ser para sempre comemorado, sem medo de estar contrariando o Pai do Céu.

(Retirado de livro Bíblia e Misticismo)

 

 

Texto lindo e elucidativo de Emma Costet de Mascheville enviado por Marylou Simonsen a Tereza Kawall e postado no blog desta, Blissnow, no dia 01 de dezembro de 2012.

Se a primeira questão que o estudante de Astrologia enfrenta é a do “determinismo” x “livre-arbítrio”, a segunda é o problema do “bem” e do “mal”.

No início, todos tem a preocupação de saber se o planeta regente do mapa que estudam é benéfico ou maléfico, se o signo zodiacal é favorável ou desfavorável. Se procuramos algum benefício no estudo da astrologia, devemos varrer desde o princípio todos estes preconceitos.

Como seria possível que o Criador, na Sua sabedoria, tivesse criado acima e ao redor de nós forças, irradiações, que nos sujeitassem necessariamente ao mal só para depois sermos condenados pelo próprio Omnijusto?

Toda Criação fala do Criador e por isto tudo o que está na natureza expressa a Sua sabedoria. Nossa incapacidade de compreender as leis divinas da natureza, nossa luta contra a Sua sabedoria, causam o nosso sofrimento- e não os planetas e signos zodiacais. Todos eles produzem em nós energias, vibrações, que alimentam diversas qualidades e virtudes.

Tomemos, por exemplo, Marte e Saturno, os mais difamados. Marte é, parcialmente considerado um planeta mais evoluído que a Terra. Se é mais evoluído do que nós, porque sua vibração sobre nós será de violência e ódio?

Analisando a dosagem de energia, de coragem e força de vontade segundo a posição do planeta Marte, veremos que de fato tais qualidades são graduadas segundo a intensidade da influência de Marte. Mas, se o homem usa essa energia recebida, doada, para finalidades de egoísmo e egocentrismo, provocando lutas, guerras, violências, ou não controlando as energias, deturpando-a entre as paixões, quem é o culpado: Marte ou o homem?

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Texto de Kennyo Ismail publicado originalmente em seu blog, No Esquadro, em 15 de setembro de 2016.

Há anos que eu tenho dito isso em minhas palestras e me deparado com o espanto no olhar da maioria dos irmãos na plateia, seguido de um franzir de testa por boa parte desses.

Como bons papagaios de avental, repetimos sempre que possível que a Grande Loja de Londres e Westminster foi fundada em 24 de junho 1717, tendo Anthony Sayer como seu primeiro Grão-Mestre, e, portanto, a Maçonaria Especulativa existe desde 1717 e blá-blá-blá, tomando por ponto de partida, sempre, 1717, quase que como um número cabalístico.

Sempre questionei tal informação. Sempre questionei o fato de não haver um documento com registro público da época, ou mesmo uma notícia reproduzida em um dos jornais londrinos. Sim, Londres tem jornais circulando desde 1621. Como poderiam deixar de noticiar algo como isso? A chamada Carta de Bolonha, quase 500 anos mais antiga, foi registrada em cartório… por que uma ata de fundação de 24/06/1717 não seria?

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Trecho do livro "Homem: Sua Verdadeira Natureza - Sobre o Homem" de Louis-Claude de Saint-Martin.

Nunca devemos pedir a Deus algo que pertença a este mundo, pois tudo aqui é contável e limitado, sendo impossível que todas tenham lucro; e se um é beneficiado com uma grande parte, outro deve, necessariamente, sofrer privações. Isto mostra o quão alheia eram as posses para o código primitivo, e que o preceito Evangélico, assim como a renúncia aos bens materiais, está intimamente ligada as próprias e fundamentais bases da verdadeira justiça.

Ao contrário, devemos clamar incessantemente por coisas do mundo real e infinito no qual nascemos, porque nada daquele mundo pode chegar ao homem sem abrir caminho para que desça sobre todos.

Nas orações recomendadas por Deus ao homem, a primeira coisa a que se deve rogar a Ele e a seu Reino, é que ele venha até nós; só após isto é que o Homem será lembrado.

O que se pede ao Homem é que de modo algum peça por coisas terrestres; o pão de cada dia de que se fala, não é nosso alimento elementar, pois o Homem tem mãos para trabalhar e a terra para cultivar, somos proibidos de cuidar das necessidades de nossos corpos, como fazem os pagãos. Este pão de cada dia, que deve ser adquirido através da doçura do semblante, é o pão da Vida, que Deus distribui às suas crianças diariamente, e o único que pode ajudar a desenvolver a nossa obra. Finalmente, pedimos o perdão de nossos pecados e para que nos afaste da tentação.

Tudo nesta oração é Espírito, tudo é caridade divina, pois seu objetivo é, de modo geral, fazer com que o pacto divino mantenha a condição em que todas têm que contribuir.

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