É preciso ser Cristão para ser Rosacruz?

Trecho da obra "Uma Aventura entre os Rosacruzes", por Franz Hartmann

1914144_1068870169832143_4458831280862784808_n"Homem algum pode tornar-se membro de nossa pobre Ordem se o seu conhecimento for baseado em dogmas, crenças, credos ou opiniões que tenham sido ensinados por outrem, ou que ele tenha aceito por ouvir dizer ou pela leitura de livros. Esse conhecimento imaginário NÃO é um conhecimento REAL; não podemos saber nada a não ser o que sabemos por nós mesmos, porque isso nós SENTIMENTOS, VEMOS E COMPREENDEMOS. O que é comumente chamado de conhecimento é apenas uma questão de memória. Podemos guardar na memória incontestáveis coisas, que podem ser verdadeiras ou falsas; mesmo que sejam verdeiras, não transmitem um conhecimento real. O verdadeiro conhecimento não pode ser passado de um homem para outro; o homem pode apenas ser guiado ao lugar onde poderá obtê-lo, mas é a ele que cabe apossar-se da verdade, não só intelectualmente, com seu cérebro, mas intuitivamente, com o coração.

Para obtermos o verdadeiro conhecimento devemos sentir a verdade de uma coisa, e compreender que ela é verdadeira, saber o motivo disso; não pode ser de outra forma. Acreditar na veracidade de uma coisa sem ter real conhecimento de sua verdade não passa de superstição; por consequência, todas as cossas especulações científicas, filosóficas e teológicas são fundamentais na superstição e não no real conhecimento. A ciência e o conhecimento de vossos modernos filósofos e teólogos estão continuamente em perigo de serem derrubados por uma nova descoberta que não se combinará com seus sistemas artificiais, porque estes estão construídos com base nas percepções sensórias e na argumentação lógica. A verdade não pode ser subvertida; ela dispensa argumentações e, uma vez percebida pelo poder ESPIRITUAL da percepção e compreendida pela inteligência ESPIRITUAL do homem, emite o conhecimento real a este, e não pode mais ser afastada por polêmicas.

Nossa Ordem, portanto, nada tem a ver com credos, crenças ou opiniões de qualquer espécie. Essas coisas não têm importância para nós; só desejamos o conhecimento real. Se todos fôssemos suficientemente perfeitos para reconhecer todas as verdades por percepção direta, não precisaríamos de livros nem instrumentos; não precisaríamos usar a lógica nem fazer experimentos. Mas se estivéssemos nesse estado de perfeição, não estaríamos aqui, mas no NIRVANA. Do jeito que as coisas são, continuamos a ser homens, embora muito acima do animal intelectual que se costuma denominar homem e que não foi REGENERADO. Ainda usamos nossos livros, temos nossa biblioteca e estudamos as opiniões dos pensadores; mas nunca aceitamos esses livros e opiniões, ainda que provenham do próprio Buda, como guias infalíveis, a menos que recebam o aval de nossa razão e compreensão. Nós os veneramos e deles fazemos uso; eles nos servem, mas nós não o servimos".

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