1

Texto publicado originalmente pela Sociedade das Ciências Antigas.

Quando D’us escreveu a Sua Torá, revelou a Moisés e, subsequentemente, a todas as gerações do povo judeu, o texto de uma oração que serviria para sempre invocar a Sua misericórdia. Esta prece, conhecida como os Treze Atributos da Misericórdia, somente pode ser recitada por uma congregação composta de um mínimo de dez homens.

Algumas congregações a recitam diariamente, exceto no Shabat e nos Dias Santos. Outras, apenas em dias de jejum ou em momentos de crise. Mas todas a recitam no Yom Kipur. A prece é repetida várias vezes e constitui o tema central nos serviços religiosos deste dia sagrado.

Seguem-se os Treze Atributos e uma breve explicação sobre cada um:

...continuar lendo "Os 13 Atributos da Misericórdia"

5

CAPÍTULO 1

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

5 a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele.

8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.

9 Pois a verdadeira há consentido no conselho e nos atos dos chegando ao mundo.

10 Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu.

Comentário: a Palavra (Logos) é a espada de Cristo, por onde as coisas surgiram em emanação primeira. Assim todo o átomo e mesmo desde a mônada, houve a penetração dessa vitalidade. Esse Logos é um Espírito, que é o Cristo Cósmico e Místico, e encarna através da Virgem (a matéria), assim que vem como Espírito Santo. Ademais, o Logos-Solar ou Cristo-Solar se encarna na constelação de Virgem, e por isso a criança é para ser degolada por Herodes (o Logos ser degolado pela matéria). O Logos é assim crucificado na cruz da matéria, ou seja, nos quatro elementos. Também é ao mesmo tempo o homem celeste, o Novo Adão, que está crucificado no Universo. Já tratamos dele como as esferas da Árvore da Vida, e assim guarda as emanações de Deus, do Altíssimo, Grande Rosto. Essa encarnação não pode ser conhecida sem a iluminação, segundo Jacob Böehme, não bastando mero estudo das Escrituras. É o Homem-Deus, como se referem os Martinistas. A árvore é Cristo e o ramo é Jesus. Volta à lição de Angelus Silésius. Essa palavra também nos leva ao mundo da Imagem Verdadeira, ao paraíso, segundo Taniguchi. Pelo Logos solar que as coisas foram feitas e existem, e do Sol (Universal) que veem e para onde retornam. Aqui se incluem a Criação dos anjos e hierarquias celestes, pois o Adão antes da queda possuía a “vestidura de luz”, era um com Cristo, e assim ordenava e dominava os animais (seres viventes, aves do céu, anjos, hayot etc). O Novo Adão ou Cristo é o Salvador, que livra da escravidão do materialismo e ego (Diabo). Deus tornou-se homem para restaurá-lo, segundo Böehme. E os anjos caídos e Lúcifer teriam um papel de fogo, sendo tal fogo uma relação com a serpente astral, luz astral inferior. A falta de castidade levando a se perder na nona esfera da árvore da vida, encontrando assim a árvore da morte, demoníaca. A queda é uma queda dimensional, e o Verbo lembra que as coisas foram feitas perfeitas. O testemunho da luz é de Cristo, de sua vestidura de luz, aquele “corpo glorioso” a que ainda teremos. Como já falei em livro “Bíblia e Misticismo”, o Verbo é muito um som, um mantra primordial. E cada Era ou Aeon tem sua “Palavra”.

11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

12 Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;

13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

15 João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia.

16 Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça.

Comentário: o nome é Yeheshua, que é uma referência ao nome divino de Jesus. É o nome de Deus, o tetragrama, adicionado da letra Shim, que significa a descida do Espírito Santo. João é a porta estreita, é um dos messias, dos dois a que a tradição dos essênios e as messiânicas já esperavam. Uma porta triangular para a iniciação. João é ao mesmo tempo o passado e o futuro, e assim também um João escreveu o livro do Apocalipse ou Revelação. Um dos dois messias teve sua vida mais exposta, e entre eles trocavam ensinamentos e acabou o Verbo se fazendo carne, na forma de Cristo Interno, naquele batismo de fogo. A pessoa de João fez o batismo de água, que era a iniciação. João é também o João interno, segundo Pistis Sophia, e assim é a reencarnação do Elias. João sendo o precursor, aquele que prepara o caminho do Cristo Íntimo, segundo Samael Aun Weor. O iniciado desce assim ao inferno, semelhante a o que fez o Cristo, antes de encontrar o Reino. Sobre o Verbo se fazer carne, disse Böehme: “Quando o Verbo se colocou em movimento para a revelação da vida, ele se revelou na essencialidade divina, na água da vida eterna; ele a penetrou e se tornou súlfur, ou seja, carne e sangue; produziu a tintura celestial, que envolve e preenche a Divindade, onde a sabedoria de Deus permanece eternamente com a magia divina. Compreenda corretamente: A Divindade desejou tornar-se carne e sangue; embora o puro e imaculado Deus permanece espírito, tornou-se o espírito e a vida da carne, operando na carne; assim, quando penetramos, através de nosso desejo, em Deus, nos doando totalmente a ele, podemos dizer que penetramos a carne e sangue de Deus, vivemos em Deus, pois o Verbo se fez homem e Deus é o Verbo” (A Encarnação de Jesus Cristo). Portanto, necessária se faça a “reintegração” a Cristo, que esteve também no ramo do adepto Jesus, para nos mostrar o caminho e revelar a verdade. Carne não significa apenas o corpo, mas a dimensão da matéria como um todo.

17 Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

18 Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.

19 E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?

20 Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo.

21 Ao que lhe perguntaram: Pois que? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não.

22 Disseram-lhe, pois: Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?

23 Respondeu ele: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

Comentário: Não se pode ver a Face senão através de seu anjo, Metraton, que em muito se identifica com o Cristo. Esse é o Grande Rosto, onde está o Pai, o Ancião dos Dias, e que está acessível através da esfera da árvore da vida de tipharet, ou Cristo. O Cristo que existe em cada um de nós pode por fim revelar o Pai, e esse encarna, ressuscita e sobe ao céu. Perguntar pelo seu paradeiro é uma forma profana de reagir, uma vez que renascemos em Cristo. Não se trata apenas de um homem como insistimos em refletir nessa obra. Cristo é Heli, o homem primordial, segundo Pasqually. Entende Vicente Velado: “Não se pode confundir o veículo físico chamado Jesus com o Cristo Cósmico nele manifestado”.

24 E os que tinham sido enviados eram dos fariseus.

25 Então lhe perguntaram: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

26 Respondeu-lhes João: Eu batizo em água; no meio de vós está um a quem vós não conheceis.

27 aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia da alparca.

28 Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

Comentário: O João era o próprio messias, um dos dois, e assim oculto, uma porta ou portal. O batismo é uma purificação, exigência de iniciação.

29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

30 este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia.

Comentário: Uma simbologia messiânica. O Cristo é sacrificado na semelhança do cordeiro, pois em toda a páscoa o Logos-Solar se sacrifica pela natureza, que depois se renova nos 4 elementos. A palavra INRI se refere à renovação pelo fogo e aos 4 elementos. A Era ou Aeon de Áries, o “cordeiro”. Também vemos noutros evangelhos o relato da pescaria, de peixes, que se refere à Era de Peixes. O Cristo-Solar passando pelas constelações e tendo a experiência do Cósmico, bem como em todos nós. Tira o pecado porque o mundo evolui através Dele. O sacrifício de Deus é limitar os Seus poderes no plano material, encarnar. É a Lei do Sacrifício. O mineral se sacrifica pelo vegetal, o vegetal pelo animal, e ambos pelo homem. O homem sacrifica seus animais internos, impulsos, por Deus. E Maimônides fala de cordeiros como vestimentas, que ocultam a sabedoria.

31 Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, é que vim batizando em água.

32 E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

33 Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza no Espírito Santo.

34 Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus.

Comentário: O batismo é a iniciação nos mistérios de Cristo. Não se refere a uma religião, mas a uma vivência interna e cósmica, pessoal (pegar a cruz e segui-lo...). O batismo da água é um grau inicial, já o batismo de fogo é grau avançado. O batismo de fogo é o do Espírito Santo, que dá as 12 faculdades e que possibilita vestir a vestimenta, para assim adentrar nos aeones. A pomba é um animal de Vênus, logo nos leva a pensar na doutrina do amor. Também reflete a paz. Outro símbolo parecido é a fênix, que assim ressuscita de si mesma pelo fogo. O pio pelicano que sustenta seus filhotes com o sangue do peito. O caminho do coração. Bricaud ainda fala no batismo de ar, que estaria junto ao de fogo, chamado consamentum, e pelo qual se torna o homem “filho de Deus”. Sem esse batismo de fogo e ar não se pode entrar no Pleroma. O batismo de fogo e ar se dava na idade mínima de 20 anos.

35 No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos

36 e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus!

37 Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.

38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que buscais? Disseram-lhe eles: rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde pousas?

39 Respondeu-lhes: Vinde, e vereis. Foram, pois, e viram onde pousava; e passaram o dia com ele; era cerca da hora décima.

40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar, e que seguiram a Jesus.

41 Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias (que, traduzido, quer dizer Cristo).

42 E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

Comentário: Hora décima devia ser umas 4 da tarde. Messias é aquele que é ungido. A unção se dava com óleo santo. Pedro é a pedra fundamental do “templo”, e a pedra de tropeço. Refere-se muito a castidade, quando vemos a trajetória dele. O Cordeiro de Deus está sacrificado desde a fundação do mundo.

43 No dia seguinte Jesus resolveu partir para a Galiléia, e achando a Felipe disse-lhe: Segue-me.

44 Ora, Felipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

45 Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.

46 Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê.

47 Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!

48 Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.

49 Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel.

50 Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? coisas maiores do que estas verás.

51 E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.

Comentário: Os 12 Apóstolos são as 12 potestades, que também são interiores ao homem. Eles levam aos 12 aeones e podemos pensar nos mesmos como representantes das 12 tribos de Israel. Outrossim, vemos aqui mais uma vez as 12 constelações do céu, uma referência aos animais sagrados (seres viventes ou hayot), que são descritos em Gênese, Ezequiel e Apocalipse. A relação com os anjos se vê estreita e os poderes celestes e divinos aparecem no Cristo Místico e Mítico. A visão do filho do homem é usar de todas as vestimentas e trafegar pelas dimensões, a “Escada de Jacó”, onde anjos sobem e descem. O Filho do Homem é o homem celeste, Adão Kadmon, que partilha do mesmo símbolo das esferas ou sephirot da árvore da vida. Refere-se ao Cristo Cósmico e Interno, e por isso do céu se abrir, esse que vem na experiência mística da teofania.

(Parte de livro Bíblia e Mistérios)

5

Aspectos místicos do Natal

“Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1: 26-33).

No dia 25 de Dezembro vemos o tempo da luz, da vida e do amor. Do ponto de vista cósmico o Cristo-Solar nasce no signo de virgo (de uma Virgem) e caminha na noite mais escura do ano no hemisfério norte, a que antigos chamavam de solstício de inverno, sendo Ele a luz do mundo, que supera as dificuldades do inverno e sempre retorna com a fertilidade e boa colheita a cada ano. Nasce assim de forma imaculada, sem nenhum pecado. Comparando a isso, existia uma série de cultos e que tiveram a data de 25 de Dezembro como o nascimento de seus mestres (deuses como Krishna na Índia, Hórus no Egito, Buda, Zoroastro no Irã, Mitra e tantos outros), anunciando assim a salvação de cada Era, presentemente com o maior que conhecemos, Jesus, o Cristo, ou Yeschouá.

Sobre Jesus histórico, não sabemos da data de seu nascimento. Mas muitos dizem que a Igreja usou a data com base na comemoração do Deus romano “Invicto”, o que é apenas suposição, tendo em vista o que vemos sobre a antiguidade da data e aspecto comum em várias nações e crenças. Mas Cristo é crucificado no Equador, e assim o aspecto cósmico ganha ainda mais símbolos. Nasceu assim Jesus quando havia uma treva espiritual, em meio a descrenças e poderes cada vez mais desumanizadores e para revelar o Novo Adão, o Novo Homem que estava por surgir, o qual se pautaria nos seus elevados preceitos morais, antes apenas compreendidos por raros filósofos e iniciados, agora disponíveis a todos os que “buscam” a reintegração com Deus, e a encontram pelo batismo (nas águas que purificam e transformam, na mãe celeste, Virgem Maria, Biná da cabala). Também em Cristo Cósmico vemos o signo estelar de Áries, o cordeiro de Deus, mais uma vez sacrificado no mundo, para a remissão dos pecados e da queda (da esfera cabalística do Reino, que antes estava próxima ao Grande Rosto, a presença do Senhor Pai, Hockmah/Sabedoria da cabala, que caiu de uma esfera espiritual para uma esfera material, Assiah).

O Novo Homem assim renasce e comemora o Natal no seu Cristo Interno, pois é um Cristo em formação. Desta forma, está escrito: “Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um Novo Homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade; e, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Efésios 2: 13-18). E esse é o caminho do místico martinista, pela oração, caridade e compreensão mística desse mistério.

Voltando aos símbolos do Natal, temos a árvore, hoje tão adornada com enfeites, bolas e luzes. Essa árvore pode ser entendida como a árvore da vida, descrita no livro do Gênesis bíblico, e seus enfeites deveriam ser em verdade, frutos. Existia no princípio, antes do mercantilismo, as árvores naturais e onde eram colocadas ou maçãs, ou velas, isso muito antigamente. Isso se deu por herança de tradições alemãs, polonesas e inglesas, e com imigrantes que continuavam a sua tradição de cortar alguma árvore para comemorar o Natal, já no Novo Mundo, na América. Da tradição teutônica ou germânica, sabemos que a comemoração da árvore é anterior, e que leva a árvore sagrada do Deus Odin, o maior do panteão nórdico, o Pai, de sabedoria e outras qualidades extraordinárias, e sua árvore Yggdrasil, que faz sombra ao Universo, sendo a “árvore do conhecimento”, uma árvore assim gigante e dos tempos dos gigantes (nos lembra os personagens do tempo de Noé...). Assim sobre as datas comemorativas, lembra um texto martinista do grupo Hermanubis, disponível na Internet: “Se as pessoas fossem um pouco mais curiosas, observariam que absolutamente nenhuma das festas até hoje comemoradas encontram-se nas escrituras sagradas, e quando existe uma festa com o mesmo nome bíblico, não obedece a prescrição de ser comemorada na data determinada. Por mais que o leitor procure, não encontrará em nenhuma bíblia oficial o dia 25 de Dezembro como data natalícia de Yeschouá o Grande Arquiteto do Universo, ou o dia 31 de Dezembro como um dia que marca para a mudança do ano”. E na Europa anterior ao cristianismo se comemorava a época com fogueiras nas árvores (comemoração do fogo), e com relação às colheitas futuras.

A estrela que guiou os magos até o mestre era uma marca dos magos, ou mesmo simbolizada por um pentagrama, estrela de 5 pontas ou mesmo um hexagrama, de 6 pontas. Seus presentes também tinham simbologia espiritual. Sobre a data, a igreja oriental celebra em 6 de janeiro. E Lucas que citei no início, foi referido em um censo de Quirino, falado em papiros egípcios. Ainda por correção de calendário, seria o nascimento em data de 5 ou 4 a.C. Belém é ponto comum entre Davi e Jesus, e o nascimento assim de um messias teria de ocorrer nessa localidade, já por profecias. A estrela de Belém é assim o Místico Sol da Meia-Noite, a que certos místicos se referiam, que nos traz ao mundo os raios de luz, vida e amor. Assim Cristo é Thifaret da cabala, a beleza divina que une todos os outros atributos da Luz Maior do Pai, sendo representante do adepto, centro da árvore da vida. Disse o Rosacruz Max Heindel: “Ao mesmo tempo devemos exaltar Deus em nossas próprias consciências, aceitando a afirmação bíblica de que Ele é espírito e que não podemos tentar representar a Sua imagem, nem retratá-Lo, pois Ele a nada se assemelha, quer nos céus quer na Terra. Podemos ver os veículos de Jeová circulando como satélites em volta de diversos planetas. Também podemos ver o Sol, que é o veículo visível de Cristo. Mas o Sol Invisível, que é o veículo do Pai e fonte de tudo, este só pode ser visto pelos maiores clarividentes e apenas como a oitava superior da fotosfera do Sol, revelando-se como um anel de luminosidade azul-violeta por trás do Sol. Mas nós não precisamos vê-Lo. Podemos sentir Seu amor e essa sensação nunca é tão grande como na época do Natal, quando Ele nos está dando o maior de todos os presentes: o Cristo do novo ano”.

 

O Natal envolve esse segredo solar, e vemos o nascimento de Cristo como proveniente desse significado cósmico, naquele Sol que em certo momento está em ângulo com constelação de Virgem, passa pela constelação de Peixes, cujo símbolo vemos em adesivos colados em carros, passa pela constelação de Cordeiro (Áries) e vence o sinistro inimigo, o bode (constelação de Capricórnio). Assim vemos todos esses símbolos refletidos no sacrifício anual, em que essa maravilha da Criação, o Sol, nos doa a vida. Recentemente presenciamos um filme sobre Noé, onde percebemos esse Cristo, nos salvando do mundo perdido, através do dilúvio do batismo. Nesse filme mostram Adão e Eva com suas vestes de luz, que teremos um dia de recuperar, sobrevivendo a morte e descobrindo o Reino de sabedoria e a ressurreição da vida eterna. Tudo isso nos foi herdado pela sabedoria gnóstica, de um pequeno grupo cristão excluído de estratégias políticas.

Vemos que mesmo com o Natal de São Nicolau, e de nosso Papai Noel, há ainda um sentimento de alegria, de solidariedade, e de uma luz maior que o comum. Essa iluminação purifica corações, e faz do nascimento do Cristo Interno a igreja verdadeira, aquela que nunca será destruída ou que se corromperá com idolatria. Ao mesmo tempo o Cristo Cósmico que vemos na eternidade, e que morre apenas simbolicamente, para nos deixar a vida eterna e a salvação. Esse Natal pode ser para sempre comemorado, sem medo de estar contrariando o Pai do Céu.

(Retirado de livro Bíblia e Misticismo)

 

 

2

Texto de Darley 'Absalom' publicado originalmente no blog Conceitos Judaicos no dia 19 de julho de 2010.

Diabo é conceito judaico?

luciferPor que coloco esta página aos meus amigos e interessados? Eu sempre digo aos meus ouvintes, que antes de querer seguir qualquer coisa que dizem estar na ‘Bíblia’, devem notar na História, se o fato é real. Tudo que aconteceu com o povo de Israel, foi anotado nos livros de História, se não na Mundial, pelo menos em livros de História de Israel.

Quanto tempo dura um mito? O tempo em que você acredita nele, até descobrir a realidade.

Pelo fato de que muitos acreditam que a ‘doutrina ‘ de demônios e seu grande chefe Lúcifer é um conceito judaico. Isso é o que veremos a seguir, não só pela história pagã deste ser mitológico, mas como pelas próprias ESCRITURAS Hebraicas, o TANAKH.

Bem, antes de qualquer coisa, confesso que eu mesmo já acreditei neste mito, crendo da mesma forma que muitos de vocês crêem, ou criam: Ele era um anjo de D”s, que um dia se rebelou, e foi destituído de seu poder, vindo a ser expulso dos céus com terceira parte dos anjos, que haviam também se rebelado e blábláblá.

Mas, que surpresa ao ler os textos da Tanakh que aludiam ao ‘dito cujo’. Os mais requisitados para ‘comprovar’ sua queda são textos em Midrash dos profetas Y’shaiáhu (Isaías) e Ieheskel (Ezequiel), que veremos mais à frente.

Uma das primeiras religiões a assumir o papel de ‘Luz e lado Negro da Força’, com um deus bom, e seu paralelo mal, certamente foi ZARATUSTRA, um conhecido persa.

Pelo ano de 600 A.E.C, ou seja, pouco antes da destruição do Templo de Y’rushalayim, e já durante o exílio Babilônico, no Império de NevuradNetsar (Nabucodonossor), este sacerdote persa, assumia uma dualidade: No mundo espiritual existia o Bem e o Mal, como formas de domínio. Zaratustra, também conhecido como ZOROASTRO,(uma nota interessante: ZARATUSTRA NASCEU DE UMA VIRGEM), erradicou a pluralidade de deuses, conceituando apenas duas divindades, com outras de menor valor ainda vigente. Com isso, o mundo médio-oriental antigo, iniciava sua desapropriação dos deuses, o que com os gregos tomou força. Com o ‘monoteísmo-dualista’ de Zaratustra, a Pérsia consideraria o seu Imperador o Deus na Terra, enquanto os males não eram por ele implantados, e sim por uma divindade maligna. Bem, não vou me detalhar na religião dos antigos iranianos e sim na crença num poder do MAL.

...continuar lendo "A Bíblia Judaica fala de Anjos Caídos?"

1

IGREJA GNÓSTICA APOSTÓLICA DA ROSA CRUZ

Igreja Gnóstica Apostólica & the Rose + Croix (EGAR + C)

Blason EGAR+C

A Igreja Gnóstica Apostólica da Rosa Cruz teve início em uma lei de 1905. Mas sua aparição é mais recente, em 1 de Julho de 2016, data atual de fundação. Esta é uma Igreja propriamente dita, diferente das outras que vimos, que estão vinculadas a Ordens de iniciação RC, e se trata de uma busca de cristianismo primitivo, sendo gnóstica. É mais um conjunto de práticas e tem muito em semelhança as igrejas cristãs. Entende os manifestos da RC como nada além da busca de um cristianismo primitivo. Também amplia o canon e aceita os evangelhos ditos apócrifos, os gnósticos ou aqueles achados em Mar Morto. Critica aqueles que atribuem origens maravilhosas ou misteriosas para a Rosa Cruz.

Trabalhando em seis pontos:

  1. Voltar ao cristianismo primitivo, de maneira direta com a Divindade, livrando da escória do papado.

  2. Sacerdócio compartilhado por todos os seus seguidores.

  3. Um rito necessário para ajudar a regenerar.

  4. Um trabalho, constantemente renovado, para adquirir mais poder espiritual: a alquimia.

  5. Uma dever: para aliviar seu próximo dos seus sofrimentos.

  6. Uma ambição para os homens da Companhia (e mulheres ...) a melhorarem, corrigindo-se em silêncio.

 

Autel

 

Então, diferente do que vemos em outras igrejas, onde um sacerdote ou ministro trabalha com certa concentração de poder, nessa igreja o mesmo é compartilhado. O poder estaria com Cristo. Mas como se disse, se afastando de papado, o que estaria em manifestos originais. Bem como falamos, a semelhança de Ordem Rosacruz de Ouro, através de uma Igreja. Lá na GURC isso se daria entre inciados já avançados em seu sistema. Aqui se trata de uma Igreja mesmo, sem essa fase de ordem iniciática. Dos pontos citados, os quatro primeiros são preparatórios, e os dois últimos, objetivos.

É gnóstica porque recusou todos os "ajustes" que a Igreja universal teve que sofrer continuamente desde o século IV. Estão comprometidos com a mensagem do Evangelho original, em seu sentido mais amplo e prático no estudo. Assim, não ditos de teologia, mas apresentam pareceres e práticas para o estudo dos seus clérigos. E como já falei, aceitam mais evangelhos do que aqueles do canon de Nicéia, e do que outra igrejas aceitam, também aceitando a Bíblia, por óbvio. Dizem que não há nenhuma condenação a temas como a orientação sexual. Deve-se sim acolher o estrangeiro, perdoar. Aceitam também todos os escritos gnósticos e pseudognósticos do século 1, inclusive Simão, Marcion, Basilides, Valentin, Dionísio, Clemente, Orígenes, bem como autores tradicionais da Rosacruz, como Andrea, Boehme, Eckartshausen, Saint-Germain, Steiner etc.

Autel

"Apostólica" porque seus bispos são consagrados validamente de heranças de sete apóstolos, através de 46 afiliações romanas, galicanas, ortodoxas, coptas, mariavitas, nestorianas ... que fazem seu clero forte no mundo em termos de apostolado. Não aceitam doações. Veem a Rosacruz como resultado de um gnosticismo protestante publicado por teólogos da Universidade de Tübingen. Um lugar para aqueles que já enfrentaram tanto abusos de igrejas, como de organizações rosacruzes. Para eles ninguém é espectados passivo, todos são cléricos. Uma comunidade pneumática, espiritual. Isso se referindo também ao Espírito Santo e mesmo plenitude, pleroma.

Assim o verdadeiro cristianismo seria envolto desse gnosticismo, e assim multiforme, Deus sendo acesível por êxtase, oráculos e teologia negativa. Assim perseguido em anos de 500 e restaurado com Boehme e grupo no sécuilo 17. A descoberta de Pistis Sophia, a Bíblia gnóstica em século 19 reacendeu a possibilidade de se restaurar esse cristianismo perdido e original. Os rosacruzes tiveram um papel nisso.Assim nessa Igreja Gnóstica em seu tempo e em sua tradição, preferiam:

  • A leitura de textos em vez de o catecismo.

  • Questionamento livre em vez de crença cega.

  • Prática em vez de discurso.

  • Filosofia em vez de teologia.

  • A coincidência de opostos em vez de mortificação.

  • Seriedade em relaxamento, em vez de autossatisfação pedante.

  • A gaia ciência, em vez de um perda em seminário.

Vem assim de trabalho de imposição de mãos, passando o fogo do Espírito Santo. E quem manda é o Bispo, a exemplo de antigas igrejas, os outros apenas o auxiliando. E vem da tradição Sirio-jacobina de Antioquia. Outros títulos, como arcebispo, cardeal, etc, são meramente administrativos. Nela os sacramentos mistérios celebrados, na plenitude dos seus ensinamentos perdidos ou escondidos por grandes igrejas são 6 em número:

  1. Eucaristia

  2. Batismo de adultos

  3. Crisma

  4. Casamento

  5. Unção dos enfermos e moribundos

  6. Ordenação

Nef

Possui nove ordens tradicionais em sua ordenação.

  1. Cléricat (clérigos, a ordem secular)

  2. Ostiariat (porteiros, minor)

  3. De leitores (leitores, minor)

  4. Exorcista (exorcista, minor)

  5. Acólito (acólitos, minor)

  6. Sub-diaconato (subdiáconos, minor)

  7. diaconais (diáconos, grande ordem)

  8. Prebytérat (padres, grande ordem)

  9. Bispos (Bispos Plenipotenciário, grande encomenda)

Também dão os mistérios de cavaleiros tradicionais:

+ Cavalheirismo,

+ A Ordem de Santa Maria Maximilian II Teutonica

+ Outra cavalaria espiritual e segredo esotérico

Autel

O primeiro contato com seus ritos é realizado por um convite para participar de uma missa esotérica aberta. A primeira etapa do trabalho começa com a ordenação de funcionário e confere o título de cavaleiro. A proposta é trazer indivíduos-chave de todas as idades, gêneros, orientações e opiniões no esoterismo Cristão e suas aplicações práticas. Nisso se assemelha um pouco com outras escolas gnósticas, e mesmo outras fraternidades rosacruzes, como a Fraternitas Rosacruciana Antiqua, a Lectorium Rosacrucianum, a Max Heindel e outras. O esoterismo cristão tem essa base gnóstica e isso é inegável. A Rosacruz pareceu continuar isso, seja por fraternidade, seja por igreja. E assim se dedica a conhecer o destino, a melhorar a relação com o próximo, a aliviar sofrimento do próximo e preparar vida após a morte. E envolve em seus ensinos, a teurgia. A teurgia mostra a invocação técnica ou encarnação de seres ou mundos, "superior" ou divino. Mas não impõe pontos de vista. Como já falei, se trata de restauração de um cristianismo primitivo.

Assim o acesso a Igreja é por livre escolha para homem ou mulher com 18 anos ou mais, sem racismo, homofobia, sexismo, livre, e que nem apoie qualquer extremismo político ou ideologia totalitária. Assim vemos a diferença de certas igrejas, que são usadas como instrumento de eleições e para apolítica, bem como intolerância, e aqui na EGAR+C não ocorre. Vemos inclusive o absurdo de se usar o nome de Cristo para perseguir os irmãos, em vez de lhes dar apoio. Também não professa nenhuma ufologia, milagreirismo, ou delírio mental. Esses que não seguem absurdos podem então ingressar na Igreja Apostólica e Gnóstica Rosa Cruz. De interesse é que ela entende as mulheres como apóstolas, como exemplos de Maria Madalena, Maria Salomé e muitas outras. Também não impede separação de casais. E como se falou, não julga a orientação sexual das pessoas. Os mistérios cristãos são assim a todas as pessoas.

fonte: http://eglise-gnostique.org

300px-Ary_Scheffer_-_The_Temptation_of_Christ_(1854)Um conto de Eliphas Levi, em seu livro "A Ciência dos Espíritos".

Jesus atravessou os campos desolados da Judéia e parou no cimo árido do antigo Calvário.

Lá um anjo com sobrancelhas negras e olho sombrio estava sentado, envolvido em suas duas vastas asas. Era Satã, o rei do velho mundo.

O anjo rebelde estava triste e cansado, e desviava o olhar com desgosto de uma terra onde o mal estava sem talentos e onde o aborrecimento de uma corrupção tímida sucedera aos combates titânicos das grandes paixões antigas. Ele sentia que experimentando os homens instruíra os fortes e enganara apenas os fracos; também já não se dignava a tentar ninguém, e sombrio, sob seu diadema de ouro, escutava vagamente caírem as almas na eternidade, como as gotas monótonas de uma chuva eterna.

Possuído por uma força que lhe era desconhecida, viera sentar-se no Calvário e, lembrando a morte do Homem-Deus, estava com inveja.

Era um anjo poderoso e belo; mas estava com inveja do Cristo, e essa inveja era figurada por uma serpente que mergulhava a cabeça em seu peito e carcomia seu coração.

Jesus e Maria estavam em pé perto dele e olhavam-no em silêncio, com grande piedade. Satã olhou por sua vez o Redentor e sorriu com amargura.

...continuar lendo "O Adeus ao Calvário – Diálogo entre Jesus, Maria e Satã"

12666544_1092935504092276_1619374639_n

Se pesquisarmos detidamente a história da espiritualidade humana, veremos que em todos os continentes do Planeta, em determinado momento da história de cada um dos povos que aqui habitam, houve um período no qual as vivências espirituais, místicas, mágicas e medicinais, estiveram de certa forma entrelaçadas à Natureza.

O contato com a Mãe Natureza em seus mais diversos elementos era - e em muitos casos contemporâneos ainda é - a via mais importante para a integração do indivíduo e do coletivo com o Todo.

Genericamente podemos dizer que durante a segunda etapa da Pré-história - fase conhecida como Neolítico, também chamada Idade da Pedra Polida e Nova Idade da Pedra - à medida que abandonava o nomadismo e desenvolvia a agricultura através de contatos cada vez mais íntimos com sementes, raízes, folhas e frutos de plantas diversas, proto-sacerdotisas conheciam com crescente profundidade os mistérios dos vegetais com os quais lidavam.

Eis o momento singular a partir do qual nasceram todas as tradições atualmente chamadas "xamânicas". Uma das características mais fortes do xamanismo universal é a conexão do homem, da mulher, com o Universo material-espiritual, através do auxílio de uma ou mais de uma "planta de poder".

007. Jurema Juazeiro2Pinturas rupestres presentes em rochas e cavernas do Nordeste brasileiro indicam que em diversos sítios, os ancestrais de nossos índios reverenciavam ou cultuavam determinadas plantas - que os arqueólogos acreditam terem sido a Jurema e o Juazeiro, uma vez que o culto a essas plantas permanece forte em nossos dias.

Entre os séculos XVI e XVIII, os primeiros etnógrafos europeus que visitaram o Nordeste tomaram nota de cerimônias realizadas por nativos das nações Potiguara, Tarairiú e Chuminy (os antigos Kariri) - rituais nos quais evocavam espíritos, afirmavam visitar mundos incríveis, celebravam matrimônios, se preparavam para as guerras, curavam doentes, recebiam notícias de pessoas distantes e fertilizavam o solo - em que era comum o uso de fumaça de Tabaco (Petum, Petym, Petema, Betim - em Tupi Antigo; Badzé - em Kariri) e a ingestão de um chá produzido à base de Jurema (Y'urema ou Iurema - em Tupi Antigo) e de sementes da aparentemente desconhecida Corpamba.

Entretanto, o olhar do europeu colonizador, assim como suas interpretações da espiritualidade ameríndia, sempre foi bastante limitado. Interessado em dominar e explorar a terra e sua população, considerando-se superior às tribos autóctones - além de tudo observar tendo como padrão a cultura européia - nada mais que ritos bárbaros foram enxergados. Escreveram aquilo que interessava ser combatido pelo processo de catequese e evangelização, classificando as divindades nativas e os espíritos da floresta como seres diabólicos.

Portugueses e franceses, por exemplo, foram incapazes, naquele momento, de perceber que para os chamados "índios" toda a Natureza é Sagrada; e que cada planta, por menor que pareça ser, possui uma Ciência que os pajés manipulavam com sabedoria.

Hoje, no Catimbó-Jurema, conforme o legado cultural dos antigos pajés e mestres juremeiros, há reverência a diversos vegetais (dentre os quais muito se cita, além da Jurema, que é o principal e que por isso consideramos Rainha; o Angico, o Jucá, o Manacá e o Catucá). Acreditamos que nos seres do mundo vegetal habitam entidades espirituais com as quais interagimos, evocamos e invocamos, sempre que há necessidade de cura ou orientação para determinados fins.

11

Coluna com traduções dos textos do blog do Sam Robinson. Esta é uma tradução do artigo “Are The Rosicrucians Really Christians?” realizada por Jeff Alves.

Vamos esclarecer o assunto de uma vez por todas: São os Rosacruzes Cristãos ou Não?

Depois de anunciar a minha intenção de analisar todas as Ordens Rosacruzes no meu último post no blog, alguns objetivos também foram claramente definidos, a fim de concluir o processo. O primeiro desses objetivos é determinar a verdadeira natureza da Ordem Rosacruz. Afinal como é que alguém pode esperar avaliar claramente as diversas linhagens sem ter algum tipo de fator de medição através do qual poderá julgá-los?

Apenas para recapitular, vou analisar cada ordem, premiá-las com uma classificação por estrelas e um sistema de pontos, baseados em seus méritos, ensinamentos e espírito de comunidade. Elas estão indo para serem colocadas sob o microscópio.

JUDGEMENT-DAY (1)

Temos que retornar às fontes originais que inspiram o movimento, particularmente os manifestos Rosacruzes do início de 1600 em diante. Diversos símbolos e ordens podem provar sua validade indo para 1700, numa época em que a alquimia ainda era praticada e os ideais Rosacruzes originais ainda estavam frescos em suas mentes europeias. Hoje o que vamos focar é um argumento frequentemente aquecida, a respeito do verdadeiro núcleo dos ensinamentos Rosacruzes; são os Rosacruzes realmente cristãos?

...continuar lendo "São os Rosacruzes Realmente Cristãos?"

kpO post mais querido no blog O Alvorecer antigo foi o dedicado à Krishna. Atentando a isto, transcrevi algumas frases do Bhagavad Gita, principal parte do Mahabharata e talvez o mais importante texto indiano, onde o Avatar dialoga lindamente com seu devoto Arjuna, um nobre guerreiro, sobre yoga. Acompanhe as citações e sinta-se inspirado por estas belas palavras deste grande Mestre.

Antes do texto, citarei Wagner Borges: “As pessoas fazem campeonato de mestres, ficam discutindo quem é o melhor, em vez de aplicar o ensinamento deles, ou fazer um milésimo do que pregavam e exemplificavam”.

—————————————————–

Conhece a paz quem esqueceu o desejo de sentir prazer.

Eu ofereço minhas respeitosas reverências ao Senhor Krishna, o mestre universal, que é filho de Vasudeva; o removedor de todos os obstáculos; a suprema bem-aventurança de Sua mãe Devaki, e cuja graça faz o mudo falar, e o aleijado cruzar as montanhas.

O rei inquiriu: Sanjaya, por favor, agora diga-me, em detalhes, o que fizeram os meus (os Kauravas) e os Pandavas no campo de batalha antes da guerra começar?

Sanjaya disse: O Senhor Krishna falou as seguintes palavras para o abatido Arjuna, cujos olhos estavam lacrimosos, e que estava sob a compaixão e o desespero.

O Senhor Krishna disse: dizendo sábias palavras, Seu lamento por aqueles não merece o seu pesar. O sábio nunca se lamenta nem pelos vivos e nem pelos mortos.

...continuar lendo "Alguns Versos do Bhagavad-Gita"

1

normal_1371047836religioesReligião é uma palavra que provém do latim religare, que significa religiar-se ao divino. Pode-se defini-la, portanto, como sendo um sistema que tenta religar o homem a Deus.

Uma religião se caracteriza por seis aspectos básicos. O primeiro é a autoridade, a qual não se refere a uma autoridade divina, mas a pessoas com talentos e dons acima da média em questões de espiritualidade; suas opiniões serão buscadas e seus conselhos serão geralmente seguidos pelos seus adeptos. O lado institucional e organizado da religião requer órgãos administrativos e pessoas que ocupem posições autoritárias, cujas decisões carregam o peso da influência, as quais (ao menos deveriam ser) são os talentosos inicialmente citados.

...continuar lendo "Ordens Iniciáticas, Religiões e Seitas"