Sobre Frater Soltys

Sou Mariano Soltys, escritor e advogado residente em São Bento do Sul, Santa Catarina, com 30 livros publicados, sobre autoajuda, sociedades secretas, religião, linguagem corporal, psicologia e filosofia, com tom místico. Escrevo também poesias e busco um aprofundamento nos versos. Membro da ALB/ Araraquara e da Academia Paranocatarinense de Letras, cadeira 39, bem como da USBE (União São-Bentense de escritores). Conselheiro de Cultura e apoiador cultural, em projetos de novos escritores. Ou seja, possuo 33 livros e mais ainda sairão brevemente.

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CAPÍTULO 1

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

5 a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele.

8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.

9 Pois a verdadeira há consentido no conselho e nos atos dos chegando ao mundo.

10 Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu.

Comentário: a Palavra (Logos) é a espada de Cristo, por onde as coisas surgiram em emanação primeira. Assim todo o átomo e mesmo desde a mônada, houve a penetração dessa vitalidade. Esse Logos é um Espírito, que é o Cristo Cósmico e Místico, e encarna através da Virgem (a matéria), assim que vem como Espírito Santo. Ademais, o Logos-Solar ou Cristo-Solar se encarna na constelação de Virgem, e por isso a criança é para ser degolada por Herodes (o Logos ser degolado pela matéria). O Logos é assim crucificado na cruz da matéria, ou seja, nos quatro elementos. Também é ao mesmo tempo o homem celeste, o Novo Adão, que está crucificado no Universo. Já tratamos dele como as esferas da Árvore da Vida, e assim guarda as emanações de Deus, do Altíssimo, Grande Rosto. Essa encarnação não pode ser conhecida sem a iluminação, segundo Jacob Böehme, não bastando mero estudo das Escrituras. É o Homem-Deus, como se referem os Martinistas. A árvore é Cristo e o ramo é Jesus. Volta à lição de Angelus Silésius. Essa palavra também nos leva ao mundo da Imagem Verdadeira, ao paraíso, segundo Taniguchi. Pelo Logos solar que as coisas foram feitas e existem, e do Sol (Universal) que veem e para onde retornam. Aqui se incluem a Criação dos anjos e hierarquias celestes, pois o Adão antes da queda possuía a “vestidura de luz”, era um com Cristo, e assim ordenava e dominava os animais (seres viventes, aves do céu, anjos, hayot etc). O Novo Adão ou Cristo é o Salvador, que livra da escravidão do materialismo e ego (Diabo). Deus tornou-se homem para restaurá-lo, segundo Böehme. E os anjos caídos e Lúcifer teriam um papel de fogo, sendo tal fogo uma relação com a serpente astral, luz astral inferior. A falta de castidade levando a se perder na nona esfera da árvore da vida, encontrando assim a árvore da morte, demoníaca. A queda é uma queda dimensional, e o Verbo lembra que as coisas foram feitas perfeitas. O testemunho da luz é de Cristo, de sua vestidura de luz, aquele “corpo glorioso” a que ainda teremos. Como já falei em livro “Bíblia e Misticismo”, o Verbo é muito um som, um mantra primordial. E cada Era ou Aeon tem sua “Palavra”.

11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

12 Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;

13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

15 João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia.

16 Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça.

Comentário: o nome é Yeheshua, que é uma referência ao nome divino de Jesus. É o nome de Deus, o tetragrama, adicionado da letra Shim, que significa a descida do Espírito Santo. João é a porta estreita, é um dos messias, dos dois a que a tradição dos essênios e as messiânicas já esperavam. Uma porta triangular para a iniciação. João é ao mesmo tempo o passado e o futuro, e assim também um João escreveu o livro do Apocalipse ou Revelação. Um dos dois messias teve sua vida mais exposta, e entre eles trocavam ensinamentos e acabou o Verbo se fazendo carne, na forma de Cristo Interno, naquele batismo de fogo. A pessoa de João fez o batismo de água, que era a iniciação. João é também o João interno, segundo Pistis Sophia, e assim é a reencarnação do Elias. João sendo o precursor, aquele que prepara o caminho do Cristo Íntimo, segundo Samael Aun Weor. O iniciado desce assim ao inferno, semelhante a o que fez o Cristo, antes de encontrar o Reino. Sobre o Verbo se fazer carne, disse Böehme: “Quando o Verbo se colocou em movimento para a revelação da vida, ele se revelou na essencialidade divina, na água da vida eterna; ele a penetrou e se tornou súlfur, ou seja, carne e sangue; produziu a tintura celestial, que envolve e preenche a Divindade, onde a sabedoria de Deus permanece eternamente com a magia divina. Compreenda corretamente: A Divindade desejou tornar-se carne e sangue; embora o puro e imaculado Deus permanece espírito, tornou-se o espírito e a vida da carne, operando na carne; assim, quando penetramos, através de nosso desejo, em Deus, nos doando totalmente a ele, podemos dizer que penetramos a carne e sangue de Deus, vivemos em Deus, pois o Verbo se fez homem e Deus é o Verbo” (A Encarnação de Jesus Cristo). Portanto, necessária se faça a “reintegração” a Cristo, que esteve também no ramo do adepto Jesus, para nos mostrar o caminho e revelar a verdade. Carne não significa apenas o corpo, mas a dimensão da matéria como um todo.

17 Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

18 Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.

19 E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?

20 Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo.

21 Ao que lhe perguntaram: Pois que? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não.

22 Disseram-lhe, pois: Quem és? para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?

23 Respondeu ele: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

Comentário: Não se pode ver a Face senão através de seu anjo, Metraton, que em muito se identifica com o Cristo. Esse é o Grande Rosto, onde está o Pai, o Ancião dos Dias, e que está acessível através da esfera da árvore da vida de tipharet, ou Cristo. O Cristo que existe em cada um de nós pode por fim revelar o Pai, e esse encarna, ressuscita e sobe ao céu. Perguntar pelo seu paradeiro é uma forma profana de reagir, uma vez que renascemos em Cristo. Não se trata apenas de um homem como insistimos em refletir nessa obra. Cristo é Heli, o homem primordial, segundo Pasqually. Entende Vicente Velado: “Não se pode confundir o veículo físico chamado Jesus com o Cristo Cósmico nele manifestado”.

24 E os que tinham sido enviados eram dos fariseus.

25 Então lhe perguntaram: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

26 Respondeu-lhes João: Eu batizo em água; no meio de vós está um a quem vós não conheceis.

27 aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia da alparca.

28 Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

Comentário: O João era o próprio messias, um dos dois, e assim oculto, uma porta ou portal. O batismo é uma purificação, exigência de iniciação.

29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

30 este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia.

Comentário: Uma simbologia messiânica. O Cristo é sacrificado na semelhança do cordeiro, pois em toda a páscoa o Logos-Solar se sacrifica pela natureza, que depois se renova nos 4 elementos. A palavra INRI se refere à renovação pelo fogo e aos 4 elementos. A Era ou Aeon de Áries, o “cordeiro”. Também vemos noutros evangelhos o relato da pescaria, de peixes, que se refere à Era de Peixes. O Cristo-Solar passando pelas constelações e tendo a experiência do Cósmico, bem como em todos nós. Tira o pecado porque o mundo evolui através Dele. O sacrifício de Deus é limitar os Seus poderes no plano material, encarnar. É a Lei do Sacrifício. O mineral se sacrifica pelo vegetal, o vegetal pelo animal, e ambos pelo homem. O homem sacrifica seus animais internos, impulsos, por Deus. E Maimônides fala de cordeiros como vestimentas, que ocultam a sabedoria.

31 Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, é que vim batizando em água.

32 E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

33 Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza no Espírito Santo.

34 Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus.

Comentário: O batismo é a iniciação nos mistérios de Cristo. Não se refere a uma religião, mas a uma vivência interna e cósmica, pessoal (pegar a cruz e segui-lo...). O batismo da água é um grau inicial, já o batismo de fogo é grau avançado. O batismo de fogo é o do Espírito Santo, que dá as 12 faculdades e que possibilita vestir a vestimenta, para assim adentrar nos aeones. A pomba é um animal de Vênus, logo nos leva a pensar na doutrina do amor. Também reflete a paz. Outro símbolo parecido é a fênix, que assim ressuscita de si mesma pelo fogo. O pio pelicano que sustenta seus filhotes com o sangue do peito. O caminho do coração. Bricaud ainda fala no batismo de ar, que estaria junto ao de fogo, chamado consamentum, e pelo qual se torna o homem “filho de Deus”. Sem esse batismo de fogo e ar não se pode entrar no Pleroma. O batismo de fogo e ar se dava na idade mínima de 20 anos.

35 No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos

36 e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus!

37 Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.

38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que buscais? Disseram-lhe eles: rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde pousas?

39 Respondeu-lhes: Vinde, e vereis. Foram, pois, e viram onde pousava; e passaram o dia com ele; era cerca da hora décima.

40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar, e que seguiram a Jesus.

41 Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias (que, traduzido, quer dizer Cristo).

42 E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

Comentário: Hora décima devia ser umas 4 da tarde. Messias é aquele que é ungido. A unção se dava com óleo santo. Pedro é a pedra fundamental do “templo”, e a pedra de tropeço. Refere-se muito a castidade, quando vemos a trajetória dele. O Cordeiro de Deus está sacrificado desde a fundação do mundo.

43 No dia seguinte Jesus resolveu partir para a Galiléia, e achando a Felipe disse-lhe: Segue-me.

44 Ora, Felipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

45 Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.

46 Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê.

47 Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!

48 Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.

49 Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel.

50 Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? coisas maiores do que estas verás.

51 E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.

Comentário: Os 12 Apóstolos são as 12 potestades, que também são interiores ao homem. Eles levam aos 12 aeones e podemos pensar nos mesmos como representantes das 12 tribos de Israel. Outrossim, vemos aqui mais uma vez as 12 constelações do céu, uma referência aos animais sagrados (seres viventes ou hayot), que são descritos em Gênese, Ezequiel e Apocalipse. A relação com os anjos se vê estreita e os poderes celestes e divinos aparecem no Cristo Místico e Mítico. A visão do filho do homem é usar de todas as vestimentas e trafegar pelas dimensões, a “Escada de Jacó”, onde anjos sobem e descem. O Filho do Homem é o homem celeste, Adão Kadmon, que partilha do mesmo símbolo das esferas ou sephirot da árvore da vida. Refere-se ao Cristo Cósmico e Interno, e por isso do céu se abrir, esse que vem na experiência mística da teofania.

(Parte de livro Bíblia e Mistérios)

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Aspectos místicos do Natal

“Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1: 26-33).

No dia 25 de Dezembro vemos o tempo da luz, da vida e do amor. Do ponto de vista cósmico o Cristo-Solar nasce no signo de virgo (de uma Virgem) e caminha na noite mais escura do ano no hemisfério norte, a que antigos chamavam de solstício de inverno, sendo Ele a luz do mundo, que supera as dificuldades do inverno e sempre retorna com a fertilidade e boa colheita a cada ano. Nasce assim de forma imaculada, sem nenhum pecado. Comparando a isso, existia uma série de cultos e que tiveram a data de 25 de Dezembro como o nascimento de seus mestres (deuses como Krishna na Índia, Hórus no Egito, Buda, Zoroastro no Irã, Mitra e tantos outros), anunciando assim a salvação de cada Era, presentemente com o maior que conhecemos, Jesus, o Cristo, ou Yeschouá.

Sobre Jesus histórico, não sabemos da data de seu nascimento. Mas muitos dizem que a Igreja usou a data com base na comemoração do Deus romano “Invicto”, o que é apenas suposição, tendo em vista o que vemos sobre a antiguidade da data e aspecto comum em várias nações e crenças. Mas Cristo é crucificado no Equador, e assim o aspecto cósmico ganha ainda mais símbolos. Nasceu assim Jesus quando havia uma treva espiritual, em meio a descrenças e poderes cada vez mais desumanizadores e para revelar o Novo Adão, o Novo Homem que estava por surgir, o qual se pautaria nos seus elevados preceitos morais, antes apenas compreendidos por raros filósofos e iniciados, agora disponíveis a todos os que “buscam” a reintegração com Deus, e a encontram pelo batismo (nas águas que purificam e transformam, na mãe celeste, Virgem Maria, Biná da cabala). Também em Cristo Cósmico vemos o signo estelar de Áries, o cordeiro de Deus, mais uma vez sacrificado no mundo, para a remissão dos pecados e da queda (da esfera cabalística do Reino, que antes estava próxima ao Grande Rosto, a presença do Senhor Pai, Hockmah/Sabedoria da cabala, que caiu de uma esfera espiritual para uma esfera material, Assiah).

O Novo Homem assim renasce e comemora o Natal no seu Cristo Interno, pois é um Cristo em formação. Desta forma, está escrito: “Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um Novo Homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade; e, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Efésios 2: 13-18). E esse é o caminho do místico martinista, pela oração, caridade e compreensão mística desse mistério.

Voltando aos símbolos do Natal, temos a árvore, hoje tão adornada com enfeites, bolas e luzes. Essa árvore pode ser entendida como a árvore da vida, descrita no livro do Gênesis bíblico, e seus enfeites deveriam ser em verdade, frutos. Existia no princípio, antes do mercantilismo, as árvores naturais e onde eram colocadas ou maçãs, ou velas, isso muito antigamente. Isso se deu por herança de tradições alemãs, polonesas e inglesas, e com imigrantes que continuavam a sua tradição de cortar alguma árvore para comemorar o Natal, já no Novo Mundo, na América. Da tradição teutônica ou germânica, sabemos que a comemoração da árvore é anterior, e que leva a árvore sagrada do Deus Odin, o maior do panteão nórdico, o Pai, de sabedoria e outras qualidades extraordinárias, e sua árvore Yggdrasil, que faz sombra ao Universo, sendo a “árvore do conhecimento”, uma árvore assim gigante e dos tempos dos gigantes (nos lembra os personagens do tempo de Noé...). Assim sobre as datas comemorativas, lembra um texto martinista do grupo Hermanubis, disponível na Internet: “Se as pessoas fossem um pouco mais curiosas, observariam que absolutamente nenhuma das festas até hoje comemoradas encontram-se nas escrituras sagradas, e quando existe uma festa com o mesmo nome bíblico, não obedece a prescrição de ser comemorada na data determinada. Por mais que o leitor procure, não encontrará em nenhuma bíblia oficial o dia 25 de Dezembro como data natalícia de Yeschouá o Grande Arquiteto do Universo, ou o dia 31 de Dezembro como um dia que marca para a mudança do ano”. E na Europa anterior ao cristianismo se comemorava a época com fogueiras nas árvores (comemoração do fogo), e com relação às colheitas futuras.

A estrela que guiou os magos até o mestre era uma marca dos magos, ou mesmo simbolizada por um pentagrama, estrela de 5 pontas ou mesmo um hexagrama, de 6 pontas. Seus presentes também tinham simbologia espiritual. Sobre a data, a igreja oriental celebra em 6 de janeiro. E Lucas que citei no início, foi referido em um censo de Quirino, falado em papiros egípcios. Ainda por correção de calendário, seria o nascimento em data de 5 ou 4 a.C. Belém é ponto comum entre Davi e Jesus, e o nascimento assim de um messias teria de ocorrer nessa localidade, já por profecias. A estrela de Belém é assim o Místico Sol da Meia-Noite, a que certos místicos se referiam, que nos traz ao mundo os raios de luz, vida e amor. Assim Cristo é Thifaret da cabala, a beleza divina que une todos os outros atributos da Luz Maior do Pai, sendo representante do adepto, centro da árvore da vida. Disse o Rosacruz Max Heindel: “Ao mesmo tempo devemos exaltar Deus em nossas próprias consciências, aceitando a afirmação bíblica de que Ele é espírito e que não podemos tentar representar a Sua imagem, nem retratá-Lo, pois Ele a nada se assemelha, quer nos céus quer na Terra. Podemos ver os veículos de Jeová circulando como satélites em volta de diversos planetas. Também podemos ver o Sol, que é o veículo visível de Cristo. Mas o Sol Invisível, que é o veículo do Pai e fonte de tudo, este só pode ser visto pelos maiores clarividentes e apenas como a oitava superior da fotosfera do Sol, revelando-se como um anel de luminosidade azul-violeta por trás do Sol. Mas nós não precisamos vê-Lo. Podemos sentir Seu amor e essa sensação nunca é tão grande como na época do Natal, quando Ele nos está dando o maior de todos os presentes: o Cristo do novo ano”.

 

O Natal envolve esse segredo solar, e vemos o nascimento de Cristo como proveniente desse significado cósmico, naquele Sol que em certo momento está em ângulo com constelação de Virgem, passa pela constelação de Peixes, cujo símbolo vemos em adesivos colados em carros, passa pela constelação de Cordeiro (Áries) e vence o sinistro inimigo, o bode (constelação de Capricórnio). Assim vemos todos esses símbolos refletidos no sacrifício anual, em que essa maravilha da Criação, o Sol, nos doa a vida. Recentemente presenciamos um filme sobre Noé, onde percebemos esse Cristo, nos salvando do mundo perdido, através do dilúvio do batismo. Nesse filme mostram Adão e Eva com suas vestes de luz, que teremos um dia de recuperar, sobrevivendo a morte e descobrindo o Reino de sabedoria e a ressurreição da vida eterna. Tudo isso nos foi herdado pela sabedoria gnóstica, de um pequeno grupo cristão excluído de estratégias políticas.

Vemos que mesmo com o Natal de São Nicolau, e de nosso Papai Noel, há ainda um sentimento de alegria, de solidariedade, e de uma luz maior que o comum. Essa iluminação purifica corações, e faz do nascimento do Cristo Interno a igreja verdadeira, aquela que nunca será destruída ou que se corromperá com idolatria. Ao mesmo tempo o Cristo Cósmico que vemos na eternidade, e que morre apenas simbolicamente, para nos deixar a vida eterna e a salvação. Esse Natal pode ser para sempre comemorado, sem medo de estar contrariando o Pai do Céu.

(Retirado de livro Bíblia e Misticismo)

 

 

CAVALEIROS AMERICANOS DO FOGO – C.A.F.H.

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Ordem relacionada a Santiago Bovisio, fundada em 3 de março de 1937, cujo nome vem de lojas maçônicas e tábuas redondas teosóficas. Refere-se ao grau 27 do Rito de Memphis e Misrain maçônico, denominação usada pelos filósofos herméticos, relacionado a filosofia de fogo de Hermes Trimegisto. Filósofos da chama. Bovisio também era radicado na loja maçônica alemã e militante da Antroposofia, e assim com a chegada do nazismo na Alemanha, teve de ir para a Argentina.

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A “Reunião das Almas CAFH” tem como base a ideia de renúncia. Outro personagem importante, juntamente com seu livro é Dr. Ramón Pascual Muñoz Soler, diretor da Associação da Cultura Espiritual Argentina e Organizador de Centros de Estudo de Psicología Médica, Parapsicológíca e Psicología Educacional, sua obra sendo O Camino da Egoencia. Outras obras surgem, como de  Jorge Isaac Vassenberg (Waxemberg), sucesor de Bovisio na frente da CAFH. São a “Renúncia e o Sentido da Existência” (1969), “A Ascética da Renúncia” (1970) e “Da Mística e os Estados de Conciência” (1972). Rumores que a Ordem e seus membros estariam supostamente ligados a agentes de inteligência e a popular Loja P2, bem como a planos de destruição interna. A ela estavam ligados jovens que mudavam suas crenças religiosas. Em maioria psicólogos e psiquiatras. Mas seu caminho é de luz, pela renúncia e caminho do coração.

Certas escolas estavam destoando de princípios cristãos e os formadores seriam advindos dessa “seita”. Autodenominada Cavaleiros Americanos do Fogo, de sistema aparentemente rosacruz e maçônico, mas com seu próprio cerimonial litúrgico para os ritos de iniciação, casamentos e honras fúnebres. Com Bovisio a ordem começa com poucos membros, em torno de 100, mas com o tempo cresce e chega a milhares, em vários países americanos. Mas com a morte de Bovisio a Ordem perde sua característica, entra para a exigência do Estado e acaba em 1977, ou se transforma.

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A Ordem começa, segundo eles, na Ásia Central, a 24 milênios, e se distribuiu por 7 lugares diferentes. A obra destes conta com 773 ensaios e 47 livros, distribuídos em diversos países. Mas sua origem é esotérica e é dirigida astralmente pela Mãe Velada. Assim destinada ao homem americano-aquariano, que se iniciava. Uma Ordem do Fogo. Também mostra alguma analogia cainita, em oposição em mistérios da água, de Abel. Isso lembra a obra de Max Heindel sobre Catolicismo e Maçonaria. Realacionada a obra de grandes ocultistas do renascimento, como Celador, Girolamo Savonarola, e por fim em Bovisio, que era clarividente. Assim relacionado ao iniciador solar, Maitreya.

Tinham uma filosofia contra a riqueza e nisso criticavam católicos e judeus. Mas passou por uma crise. Isso se mostra na Assembleia do Plenilunio de Maio de 1977, em San Paulo, Brasil, quando todos os Superiores reunidos não puderam se por antes um simples pedido de perdão. Mas a riqueza os atraiu, tendo casas, campos, depósitos bancários etc. Restou apenas os ensinamentos do mestre Santiago. Atualmente mais em ajuda social. No Brasil a Ordem tem palestras, eventos e estudos, e pode ser encontrada em:

em Belo Horizonte

em Goiania

em Juiz de Fora

em Recife

em Salvador

em São José dos Campos

em São Paulo

Por fim, os filhos da Cafh hão de santificar seu dia.

B.O.T.A. : CONSTRUTORES DE ADYTUM

Paul Foster Case (Frater Perseverantia) foi filho de um bibliotecário e sendo ele diretor de orquestra, bem como especialista sobre tarô. Também escrevendo artigos numa revista de Nova Yorke, conhecendo Michael Whitty (Frater Gnoscente et Servient) e por esse ingressa na ordem Alfa e Ômega. Troca ademais, cartas com Regardie sobre a Golden Dawn. Também ligado a teosofistas. Assim, a revista Azoth ganha importância por lá, nos EUA. Ademais, admitido no templo Toth Hermes em 1918. Teve problemas por publicar a atribuição de nomes hebraicos relacionados a cartas de Tarô, o que seria ensino privado da Aurora Dourada, mas isso teria ocorrido antes dele ser membro da Ordem. Junto com amigo, faz pesquisas em akasha e escreve o Livro dos Testemunhos, que se refere a meditações cabalísticas. Com saúde de amigo tendo problemas, acaba sendo indicado a cargo superior, sendo chefe supremo da AO nos EUA. Busca criar a terceira ordem, a Hermética Ordem de Atlantis, quando percebe a queda da Toth Hermes. De 60 participantes, o número caiu para 11.

bota

O trabalho da B.O.T.A. (Builders Of The Adytum) desde seu início, conhece rápida extensão, tendo templos em Rochester, Washington, Boston, designados por números. Em 1929, Jessie Burns Parke desenha o Tarot da B.O.T.A. com instruções de P.F.Case. Antes se usava o modelo Waite. Se organizam uma serie de cursos preparatórios. Neste período preparatório para os candidatos, o Tarot é utilizado como instrumento de limpeza do subconsciente (estilo escola Novo Pensamento?). Entende o trabalho psicológico como preparatório para o trabalho mágico. Também os estudantes deviam conhecer bem a cabala, a astrologia, as letras hebraicas, correspondências desses. Apenas após longa preparação que estudantes seriam admitidos a trabalhos rituais. A ordem se expande na Europa a partir de 1984. Outro detalhe é que se afasta da linguagem e magia enoquiana, achando que seria um tanto perigosa, uma vez levaria alguns a loucura, e mesmo John Dee não a havia dominado. Pois a linguagem enoquiana poderia ter fontes qliphóticas, e também de fórmulas não protegidas. Case trabalhara com magia por cerca de 20 anos, e não era estranho ao tema. Mas nesse sistema teve sua reserva.

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Sobre o material de estudo e monografias da BOTA, há um variado estudo, bem amplo, se em comparação a outras ordens. Entre seus estudos constam as seguintes lições, dentre outras:

  • Fundamentos do tarot

  • Trinta e dois caminhos de sabedoria

  • A grande obra

  • O significado dos signos zodiacais

  • Poderes vibratórios da cabala

  • Cor e som

  • O oráculo do tarot

  • Doutrinas cabalísticas sobre o renascimento e a imortalidade

  • Ascenção meditacional na árvore da vida

  • Modelo mestre

  • Extenção esotérica do tarot para despertar os poderes estrassensoriais

  • Doutrinas cabalísticas sobre a polaridade sexual

 

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Pelo que se nota, a Builders Of The Adytum tem uma linha da Aurora Dourada, mas com menos magia. Também se nota a alquimia, nos estudos sobre a grande obra, e alguma doutrina tântrica, pelo estudo de polaridade sexual. Pareceu que havia uma aversão a Mathers, ou a sua mulher, e que outras pendências de ordens anteriores fizeram que ele fundasse esse caminho rosacruciano. Há um vasto estudo e não se trata de uma ordem que leve a despeza, então sendo uma boa opção, e acessível ao buscador. Adytum significa santuário interior, e a Ordem propaga os mistério e tradição ocidental. Pessoas de todas as crenças são bem vindas nessa Ordem. O acesso porém é diretamente nos EUA, mas se recebe lições via correio, havendo em inglês e espanhol. A Ordem possui trabalhos também na Europa e Nova Zelândia. Alguns acham a BOTA mais rosacruz que outras ordens que denominam rosacruz.

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IGREJA GNÓSTICA APOSTÓLICA DA ROSA CRUZ

Igreja Gnóstica Apostólica & the Rose + Croix (EGAR + C)

Blason EGAR+C

A Igreja Gnóstica Apostólica da Rosa Cruz teve início em uma lei de 1905. Mas sua aparição é mais recente, em 1 de Julho de 2016, data atual de fundação. Esta é uma Igreja propriamente dita, diferente das outras que vimos, que estão vinculadas a Ordens de iniciação RC, e se trata de uma busca de cristianismo primitivo, sendo gnóstica. É mais um conjunto de práticas e tem muito em semelhança as igrejas cristãs. Entende os manifestos da RC como nada além da busca de um cristianismo primitivo. Também amplia o canon e aceita os evangelhos ditos apócrifos, os gnósticos ou aqueles achados em Mar Morto. Critica aqueles que atribuem origens maravilhosas ou misteriosas para a Rosa Cruz.

Trabalhando em seis pontos:

  1. Voltar ao cristianismo primitivo, de maneira direta com a Divindade, livrando da escória do papado.

  2. Sacerdócio compartilhado por todos os seus seguidores.

  3. Um rito necessário para ajudar a regenerar.

  4. Um trabalho, constantemente renovado, para adquirir mais poder espiritual: a alquimia.

  5. Uma dever: para aliviar seu próximo dos seus sofrimentos.

  6. Uma ambição para os homens da Companhia (e mulheres ...) a melhorarem, corrigindo-se em silêncio.

 

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Então, diferente do que vemos em outras igrejas, onde um sacerdote ou ministro trabalha com certa concentração de poder, nessa igreja o mesmo é compartilhado. O poder estaria com Cristo. Mas como se disse, se afastando de papado, o que estaria em manifestos originais. Bem como falamos, a semelhança de Ordem Rosacruz de Ouro, através de uma Igreja. Lá na GURC isso se daria entre inciados já avançados em seu sistema. Aqui se trata de uma Igreja mesmo, sem essa fase de ordem iniciática. Dos pontos citados, os quatro primeiros são preparatórios, e os dois últimos, objetivos.

É gnóstica porque recusou todos os "ajustes" que a Igreja universal teve que sofrer continuamente desde o século IV. Estão comprometidos com a mensagem do Evangelho original, em seu sentido mais amplo e prático no estudo. Assim, não ditos de teologia, mas apresentam pareceres e práticas para o estudo dos seus clérigos. E como já falei, aceitam mais evangelhos do que aqueles do canon de Nicéia, e do que outra igrejas aceitam, também aceitando a Bíblia, por óbvio. Dizem que não há nenhuma condenação a temas como a orientação sexual. Deve-se sim acolher o estrangeiro, perdoar. Aceitam também todos os escritos gnósticos e pseudognósticos do século 1, inclusive Simão, Marcion, Basilides, Valentin, Dionísio, Clemente, Orígenes, bem como autores tradicionais da Rosacruz, como Andrea, Boehme, Eckartshausen, Saint-Germain, Steiner etc.

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"Apostólica" porque seus bispos são consagrados validamente de heranças de sete apóstolos, através de 46 afiliações romanas, galicanas, ortodoxas, coptas, mariavitas, nestorianas ... que fazem seu clero forte no mundo em termos de apostolado. Não aceitam doações. Veem a Rosacruz como resultado de um gnosticismo protestante publicado por teólogos da Universidade de Tübingen. Um lugar para aqueles que já enfrentaram tanto abusos de igrejas, como de organizações rosacruzes. Para eles ninguém é espectados passivo, todos são cléricos. Uma comunidade pneumática, espiritual. Isso se referindo também ao Espírito Santo e mesmo plenitude, pleroma.

Assim o verdadeiro cristianismo seria envolto desse gnosticismo, e assim multiforme, Deus sendo acesível por êxtase, oráculos e teologia negativa. Assim perseguido em anos de 500 e restaurado com Boehme e grupo no sécuilo 17. A descoberta de Pistis Sophia, a Bíblia gnóstica em século 19 reacendeu a possibilidade de se restaurar esse cristianismo perdido e original. Os rosacruzes tiveram um papel nisso.Assim nessa Igreja Gnóstica em seu tempo e em sua tradição, preferiam:

  • A leitura de textos em vez de o catecismo.

  • Questionamento livre em vez de crença cega.

  • Prática em vez de discurso.

  • Filosofia em vez de teologia.

  • A coincidência de opostos em vez de mortificação.

  • Seriedade em relaxamento, em vez de autossatisfação pedante.

  • A gaia ciência, em vez de um perda em seminário.

Vem assim de trabalho de imposição de mãos, passando o fogo do Espírito Santo. E quem manda é o Bispo, a exemplo de antigas igrejas, os outros apenas o auxiliando. E vem da tradição Sirio-jacobina de Antioquia. Outros títulos, como arcebispo, cardeal, etc, são meramente administrativos. Nela os sacramentos mistérios celebrados, na plenitude dos seus ensinamentos perdidos ou escondidos por grandes igrejas são 6 em número:

  1. Eucaristia

  2. Batismo de adultos

  3. Crisma

  4. Casamento

  5. Unção dos enfermos e moribundos

  6. Ordenação

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Possui nove ordens tradicionais em sua ordenação.

  1. Cléricat (clérigos, a ordem secular)

  2. Ostiariat (porteiros, minor)

  3. De leitores (leitores, minor)

  4. Exorcista (exorcista, minor)

  5. Acólito (acólitos, minor)

  6. Sub-diaconato (subdiáconos, minor)

  7. diaconais (diáconos, grande ordem)

  8. Prebytérat (padres, grande ordem)

  9. Bispos (Bispos Plenipotenciário, grande encomenda)

Também dão os mistérios de cavaleiros tradicionais:

+ Cavalheirismo,

+ A Ordem de Santa Maria Maximilian II Teutonica

+ Outra cavalaria espiritual e segredo esotérico

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O primeiro contato com seus ritos é realizado por um convite para participar de uma missa esotérica aberta. A primeira etapa do trabalho começa com a ordenação de funcionário e confere o título de cavaleiro. A proposta é trazer indivíduos-chave de todas as idades, gêneros, orientações e opiniões no esoterismo Cristão e suas aplicações práticas. Nisso se assemelha um pouco com outras escolas gnósticas, e mesmo outras fraternidades rosacruzes, como a Fraternitas Rosacruciana Antiqua, a Lectorium Rosacrucianum, a Max Heindel e outras. O esoterismo cristão tem essa base gnóstica e isso é inegável. A Rosacruz pareceu continuar isso, seja por fraternidade, seja por igreja. E assim se dedica a conhecer o destino, a melhorar a relação com o próximo, a aliviar sofrimento do próximo e preparar vida após a morte. E envolve em seus ensinos, a teurgia. A teurgia mostra a invocação técnica ou encarnação de seres ou mundos, "superior" ou divino. Mas não impõe pontos de vista. Como já falei, se trata de restauração de um cristianismo primitivo.

Assim o acesso a Igreja é por livre escolha para homem ou mulher com 18 anos ou mais, sem racismo, homofobia, sexismo, livre, e que nem apoie qualquer extremismo político ou ideologia totalitária. Assim vemos a diferença de certas igrejas, que são usadas como instrumento de eleições e para apolítica, bem como intolerância, e aqui na EGAR+C não ocorre. Vemos inclusive o absurdo de se usar o nome de Cristo para perseguir os irmãos, em vez de lhes dar apoio. Também não professa nenhuma ufologia, milagreirismo, ou delírio mental. Esses que não seguem absurdos podem então ingressar na Igreja Apostólica e Gnóstica Rosa Cruz. De interesse é que ela entende as mulheres como apóstolas, como exemplos de Maria Madalena, Maria Salomé e muitas outras. Também não impede separação de casais. E como se falou, não julga a orientação sexual das pessoas. Os mistérios cristãos são assim a todas as pessoas.

fonte: http://eglise-gnostique.org

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Diferente do que muitos imaginam, bem como do usual por nosso país, onde há Fraternidades Rosacruz, é se pensar em uma sociedade Rosacruz dentro da Maçonaria, ou que se exige ser maçon antes de Rosacruz. Por aqui vemos as ordens fundadas no século 19 afiliando e ensinando, com muita propriedade e eficiência, e que são um baita caminho espiritual e iniciático. Mas houve e existe ainda as Rosacruzes maçônicas: a SRIS - Sociedade Rosacruciana in Scotia, a SRIA - Sociedade Rosacruciana in Anglia (Inglaterra), a Societas Rosicruciana in Civitatibus Foederatis (dos EUA). Porém, aparecem materiais atuais da SRIA com 12 graus.

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Também diferentemente das ordens que conhecemos e vemos mais divulgadas, do século 19, as rosacruzes maçônicas têm seu trabalho iniciático desde 1800, e então em período muito anterior aquelas que se buscam fora dessas três citadas acima. Semelhante a Rosacruz original que conhecemos, ou uma que surgiu após os manifestos, a Rosacruz de Ouro (GURC), essas rosacruzes necessitam de filiação maçônica antes de sua iniciação. Sua estrutura de graus é semelhante as Ordens Rosacruzes, e geralmente em número de 9, diferentemente da Rosacruz de Ouro, que possuía 12, bem de como outras Ordens Rosacruzes, como a Aurora Dourada e outras posteriores.

Segundo consta, o corpo diretivo da Sociedade Rosicruciana in Civitatibus Foederatis (EUA) é conhecido como o Supremo Conselho, composto por Fratres de oitavo e novo graus. O chefe da Sociedade é intitulado O Supremo Magus, do nono grau, eleito a cada triênio. Já as instâncias são chamadas de "colégios", sendo cada uma delas dirigida, nos Estados Unidos, por um Adepto Chefe, de nono grau, nomeado para a vivência pelo Supremo Magus. A participação é restrita a 72 membros. Os novos membros são obrigados a selecionar um "lema latino" distintivo e afirmar que eles não são membros de uma organização Rosacruz maçônica como uma questão de ética. A Ordem não está interessada no aumento de número de membros, mas na qualidade dos membros, e está sempre feliz em considerar tais irmãos, cujo interesse em objetivos da Ordem são sinceros e que considere estar em solidariedade com o movimento.

Já a SRIA (Sociedade Rosacruciana in Anglia) teve seus trabalhos iniciados entre 1852 e 1859, apesar de seu documento de constituição ser de 1868. Mas se atribui sua origem a 1543, o que estaria mesmo antes dos manifestos rosacruzes conhecidos. O mais provável que seja 1866-68 mesmo, e em 1867 a primeira reunião. Essa também possui 9 graus em sua estrutura. O limite máximo de membros é de 144. O colégio oiriginal possuía 12 membros. A ordem está atualmente concentrada na Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, País de Gales, França, Holanda. Seus rituais são baseados no Fama Fraternitatis e na Rosacruz de Ouro. Diz que é a Rosacruz mais antiga do mundo. O maior legado dessa Ordem SRIA são seus 400 livros antigos e manuscritos Rosacruzes, que estão atualmente alojados no Museu da Grande Loja Unida da Inglaterra. Já a SRIS (in Scotia) já se teria segundo alguns extinto, mas há sinais de continuidade, bem como sendo a origem das outras duas que continuam.

Em diferença com Ordens Rosacruzes mais comuns, como as místicas (ex. AMORC), essas ordens Rosacruzes maçônicas foram classificadas de herméticas. Há também aquelas Rosacruzes que se pode classificar de teosóficas ou gnósticas, como a Lectorium Rosacrucianum e a Rosacrucian Fellowship, ou gnóstico-thelêmica, a FRA. Todas elas de elevados ensinamentos, e que são adequadas a cada buscador na senda da Tradição Rosacruz. Mas o que transparece em alguns documentos, é que desde a SRIS e as posteriores, se há estudo de misticismo judaico-cristão, de cabala, das letras místicas I.N.R.I., 4 elementos, da mística da Luz, o Nome de Jeová (IHVH), Alquimia Espiritual, a mística do número 12, da Santa ceia, de Jesus, religiões orientais, mistérios egípcios etc. isso somado ao simbolismo dos rituais e a característica maçônica, que foi retirada em ordens Rosacruzes de século 19. Mas no geral o que se vê em ordens Rosacruzes maçônicas é uma característica diferenciada daquela que se observa em não dessa filiação. Mas nem por isso se pode dizer menos verdadeiras do que aquelas que surgiram posteriormente, e todas colaboram a manutenção de uma Tradição Rosacruz.

 

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A Rosacruz do Oriente foi divulgada em tempos modernos por Robert Ambelain, e mesmo por Papus propagada, cuja fonte foi Dupré e Sémèlas, este último que tinha uma fonte oculta. Ambelain disse que se podia contar nos dedos aqueles a que foram transmitidos a Rosa Cruz do Oriente (R+CO). Isso ainda se relaciona aos Irmãos do Oriente, que ganha uma lenda, mas que certamente teve algum fundo de verdade. Mais próxima da Rosacruz original, juntamente com a Rosa Cruz de Ouro (GUR+C), onde vemos o tema da teurgia presente, bem como a uma ritualística cristã, a Rosacruz do Oriente muitas vezes é esquecida no véu dos Mistérios.

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Diferente das ordens que surgem em século 19, a Rosacruz do Oriente guarda uma ritualística sacerdotal bem presente, trazendo consigo sempre a reverência e busca do Senhor (Deus), de Jesus Cristo e o que se assemelha a magia. Ordens de tempos mais recentes evitam a teurgia, ou talvez por não saber o que é. Vemos na ordens atuais mais um trabalho mental e de ego, que um trabalho sacerdotal e de busca de operações que existiam na RC+O. O mesmo se diga da alquimia presente na Rosacruz de Ouro, o que não vemos mais em estudos e práticas de outras ordens conhecidas atualmente.

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O interessante na doutrina teosófica ou rosacruz de Max Heindel, esse teósofo cristão, é que após a morte do corpo físico devemos rememorar toda a vida, como um filme que se repete, e chamando isso de Purgatório. Rompe-se o cordão de prata, esse feixe energético a que possuímos para o corpo vital, e assim o mesmo se solta do corpo físico, na transição. Há o exercício da memória, que seria todos os dias, antes de dormir, rever o que ocorreu no dia, a fim de superar essa fase de purgatório, e assim economizar tempo na caminhada evolutiva. E há a tríplice alma, que deve ser assim desenvolvida. A evolução é da alma. Também os anjos seriam seres de uma ronda anterior de evolução, que teriam falhado no papel (por isso caído..), e para tanto ainda agora colaborando conosco para que não façamos o mesmo erro. E esses anjos agora cuidam especialmente do reino vegetal, e os animais são mais evoluídos no presente do que quando nós fomos animais. Na próxima fase evolutiva seremos anjos.

Fato é que em muito Cristo no começo do cristianismo era tido como um anjo. O auxílio de Gabriel, Miguel, Rafael e tantos outros é inquestionável na Bíblia. Vemos sempre sua presença em colunas de fogo, de fumaça, em proteção dos homens de Deus etc. As doutrinas mais avançadas em estudos se referem aos anjos. A Merkabah ou o estudo da roda de Ezequiel, a que tentei dar pincelada em meu comentário, bem como os animais ou bestas do Apocalipse, e tantas passagens da Bíblia, referem-se a esse complexo tema angelical. Os cabalistas falavam que estudar essa roda era apenas para anciãos ou homens de muita sabedoria, sendo temerário se falar no tema. Mas a escada de Jacó nos mostra que essa hierarquia celeste deve ser vista ou conhecida no fim dos tempos, e que para alguns já estaríamos neles. Não se refere a centenas de anos, e nem a milhares, mas a milhões de milhões, pela teosofia (4.320.000.000.000), ou mais. Por isso de se falar no dia do Juízo como algo que nem o filho sabe. Os cataclismos se dariam nas mudanças de eras, ou das rondas, os “dias da Criação” descritos no “Conceito Rosacruz do Cosmo”, e assim em Pralaya, nessa noite de Brahma. Mesmo a ciência coloca a origem do universo em 13 bilhões de anos, o que parece ser também um equívoco, pois o tempo parece variar e isso parece apenas sob nosso ponto de vista. O espaço-tempo é relativo, e nem precisamos lembrar-nos de Einstein para pensarmos que esse tempo tem de ser mais estudado.

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magoO homem tem o céu no seu corpo, assim o destino e todas as coisas estão nele presentes. Nem tanto escolhe para tanto sua moral, uma vez que no seu corpo há a tendência específica de acordo com a idade e posição de certo planeta no céu, bem como a Lua e o Sol. Mas você perguntaria como tal absurdo seria possível. De certa forma, a nossa crença opera grandes mudanças físicas, psíquicas e metafísicas, restando que o fato de se acreditar em algo alimenta o poder da mente. Talvez por em tempos primitivos funcionarmos não pela razão ou consciente, mas talvez por níveis subconscientes e intuitivos. Não raro o poder chamado de paranormal, este sendo ferramenta de curandeiros e feiticeiros, cujo resultado se deve por meio incomum, atribuindo isso a deuses e espíritos. Outrossim, voltando à influência celeste, os antigos percebiam virtudes em número de signos e planetas. Essas virtudes seriam poderes mágickos, refletidos nos reinos, plantas, minerais, animais etc. Atualmente, ninguém nega a propriedade curativa de certa erva, e todos compram por vezes algum chá. Ademais, também animais e certas partes suas, preparados ou providenciados em tempo específico, podem ter poderes curativos ou outros, o que seria sua virtude. Resumindo: esses seres seriam influenciados pelos planetas e guardariam as propriedades mágickas desses.

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Giovanni Domenico Campanella, também conhecido por pseudônimo Sentimontano Squilla, nasceu em 5 de Setembro de 1568, filho de Gerônimo Campanella e de Caterina, em Stignano, Condado de Stilo, Calábria, Itália. Foi um filósofo, poeta e teólogo. Ainda jovem entra para a Ordem Dominicana, em 1582, onde adota o nome Tomaso, em homenagem a Tomás de Aquino. Mas no convento de Stilo ele estuda filosofia. Em 1590 publica livro “A Filosofia demonstrada pelos sentidos”, o que lhe rende um processo junto a sua Ordem. Desobedece a sentença e se torna um fugitivo, indo a Roma, Florença e Pádua. Cursando medicina, ele apenas o faz disfarçado de estudante espanhol. Preso pela Inquisição ainda por escrever obra “Discursos universais sobre o governo eclesiástico”, ficando detido por dois anos. Retornando a Stilo, acha-se injustiçado e acaba armando uma conspiração, mas é traído por parceiros, e assim preso novamente, e agora ameaçado por uma pena de morte. Escapa da morte se fingindo de louco, mas mesmo assim é condenado a prisão perpétua. Em cinco processo sofre assim. Fica 27 anos preso, lá escrevendo suas obras. Então, se a intenção era condenar Campanella por ter escrito coisas proibidas e defender livre pensamento, não funcionou muito o deixar detido. Influenciado em especial por Telésio. Mas escreve apologia a Galileu, ademais. Interessante é sua ligação com a magia, astrologia e conhecimentos congêneres. Fala da astrologia como ciência, na sua obra mais famosa, A Cidade do Sol. Obra que se parece a República de Platão, bem como com Utopia de Morus, ou ainda a Nova Atlântida de Francis Bacon.

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