ASPECTOS MÍSTICOS DO NATAL

Aspectos místicos do Natal

“Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1: 26-33).

No dia 25 de Dezembro vemos o tempo da luz, da vida e do amor. Do ponto de vista cósmico o Cristo-Solar nasce no signo de virgo (de uma Virgem) e caminha na noite mais escura do ano no hemisfério norte, a que antigos chamavam de solstício de inverno, sendo Ele a luz do mundo, que supera as dificuldades do inverno e sempre retorna com a fertilidade e boa colheita a cada ano. Nasce assim de forma imaculada, sem nenhum pecado. Comparando a isso, existia uma série de cultos e que tiveram a data de 25 de Dezembro como o nascimento de seus mestres (deuses como Krishna na Índia, Hórus no Egito, Buda, Zoroastro no Irã, Mitra e tantos outros), anunciando assim a salvação de cada Era, presentemente com o maior que conhecemos, Jesus, o Cristo, ou Yeschouá.

Sobre Jesus histórico, não sabemos da data de seu nascimento. Mas muitos dizem que a Igreja usou a data com base na comemoração do Deus romano “Invicto”, o que é apenas suposição, tendo em vista o que vemos sobre a antiguidade da data e aspecto comum em várias nações e crenças. Mas Cristo é crucificado no Equador, e assim o aspecto cósmico ganha ainda mais símbolos. Nasceu assim Jesus quando havia uma treva espiritual, em meio a descrenças e poderes cada vez mais desumanizadores e para revelar o Novo Adão, o Novo Homem que estava por surgir, o qual se pautaria nos seus elevados preceitos morais, antes apenas compreendidos por raros filósofos e iniciados, agora disponíveis a todos os que “buscam” a reintegração com Deus, e a encontram pelo batismo (nas águas que purificam e transformam, na mãe celeste, Virgem Maria, Biná da cabala). Também em Cristo Cósmico vemos o signo estelar de Áries, o cordeiro de Deus, mais uma vez sacrificado no mundo, para a remissão dos pecados e da queda (da esfera cabalística do Reino, que antes estava próxima ao Grande Rosto, a presença do Senhor Pai, Hockmah/Sabedoria da cabala, que caiu de uma esfera espiritual para uma esfera material, Assiah).

O Novo Homem assim renasce e comemora o Natal no seu Cristo Interno, pois é um Cristo em formação. Desta forma, está escrito: “Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um Novo Homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade; e, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Efésios 2: 13-18). E esse é o caminho do místico martinista, pela oração, caridade e compreensão mística desse mistério.

Voltando aos símbolos do Natal, temos a árvore, hoje tão adornada com enfeites, bolas e luzes. Essa árvore pode ser entendida como a árvore da vida, descrita no livro do Gênesis bíblico, e seus enfeites deveriam ser em verdade, frutos. Existia no princípio, antes do mercantilismo, as árvores naturais e onde eram colocadas ou maçãs, ou velas, isso muito antigamente. Isso se deu por herança de tradições alemãs, polonesas e inglesas, e com imigrantes que continuavam a sua tradição de cortar alguma árvore para comemorar o Natal, já no Novo Mundo, na América. Da tradição teutônica ou germânica, sabemos que a comemoração da árvore é anterior, e que leva a árvore sagrada do Deus Odin, o maior do panteão nórdico, o Pai, de sabedoria e outras qualidades extraordinárias, e sua árvore Yggdrasil, que faz sombra ao Universo, sendo a “árvore do conhecimento”, uma árvore assim gigante e dos tempos dos gigantes (nos lembra os personagens do tempo de Noé...). Assim sobre as datas comemorativas, lembra um texto martinista do grupo Hermanubis, disponível na Internet: “Se as pessoas fossem um pouco mais curiosas, observariam que absolutamente nenhuma das festas até hoje comemoradas encontram-se nas escrituras sagradas, e quando existe uma festa com o mesmo nome bíblico, não obedece a prescrição de ser comemorada na data determinada. Por mais que o leitor procure, não encontrará em nenhuma bíblia oficial o dia 25 de Dezembro como data natalícia de Yeschouá o Grande Arquiteto do Universo, ou o dia 31 de Dezembro como um dia que marca para a mudança do ano”. E na Europa anterior ao cristianismo se comemorava a época com fogueiras nas árvores (comemoração do fogo), e com relação às colheitas futuras.

A estrela que guiou os magos até o mestre era uma marca dos magos, ou mesmo simbolizada por um pentagrama, estrela de 5 pontas ou mesmo um hexagrama, de 6 pontas. Seus presentes também tinham simbologia espiritual. Sobre a data, a igreja oriental celebra em 6 de janeiro. E Lucas que citei no início, foi referido em um censo de Quirino, falado em papiros egípcios. Ainda por correção de calendário, seria o nascimento em data de 5 ou 4 a.C. Belém é ponto comum entre Davi e Jesus, e o nascimento assim de um messias teria de ocorrer nessa localidade, já por profecias. A estrela de Belém é assim o Místico Sol da Meia-Noite, a que certos místicos se referiam, que nos traz ao mundo os raios de luz, vida e amor. Assim Cristo é Thifaret da cabala, a beleza divina que une todos os outros atributos da Luz Maior do Pai, sendo representante do adepto, centro da árvore da vida. Disse o Rosacruz Max Heindel: “Ao mesmo tempo devemos exaltar Deus em nossas próprias consciências, aceitando a afirmação bíblica de que Ele é espírito e que não podemos tentar representar a Sua imagem, nem retratá-Lo, pois Ele a nada se assemelha, quer nos céus quer na Terra. Podemos ver os veículos de Jeová circulando como satélites em volta de diversos planetas. Também podemos ver o Sol, que é o veículo visível de Cristo. Mas o Sol Invisível, que é o veículo do Pai e fonte de tudo, este só pode ser visto pelos maiores clarividentes e apenas como a oitava superior da fotosfera do Sol, revelando-se como um anel de luminosidade azul-violeta por trás do Sol. Mas nós não precisamos vê-Lo. Podemos sentir Seu amor e essa sensação nunca é tão grande como na época do Natal, quando Ele nos está dando o maior de todos os presentes: o Cristo do novo ano”.

 

O Natal envolve esse segredo solar, e vemos o nascimento de Cristo como proveniente desse significado cósmico, naquele Sol que em certo momento está em ângulo com constelação de Virgem, passa pela constelação de Peixes, cujo símbolo vemos em adesivos colados em carros, passa pela constelação de Cordeiro (Áries) e vence o sinistro inimigo, o bode (constelação de Capricórnio). Assim vemos todos esses símbolos refletidos no sacrifício anual, em que essa maravilha da Criação, o Sol, nos doa a vida. Recentemente presenciamos um filme sobre Noé, onde percebemos esse Cristo, nos salvando do mundo perdido, através do dilúvio do batismo. Nesse filme mostram Adão e Eva com suas vestes de luz, que teremos um dia de recuperar, sobrevivendo a morte e descobrindo o Reino de sabedoria e a ressurreição da vida eterna. Tudo isso nos foi herdado pela sabedoria gnóstica, de um pequeno grupo cristão excluído de estratégias políticas.

Vemos que mesmo com o Natal de São Nicolau, e de nosso Papai Noel, há ainda um sentimento de alegria, de solidariedade, e de uma luz maior que o comum. Essa iluminação purifica corações, e faz do nascimento do Cristo Interno a igreja verdadeira, aquela que nunca será destruída ou que se corromperá com idolatria. Ao mesmo tempo o Cristo Cósmico que vemos na eternidade, e que morre apenas simbolicamente, para nos deixar a vida eterna e a salvação. Esse Natal pode ser para sempre comemorado, sem medo de estar contrariando o Pai do Céu.

(Retirado de livro Bíblia e Misticismo)

 

 

5 comentários sobre “ASPECTOS MÍSTICOS DO NATAL

  1. José Marcos

    Boa tarde. Primeiramente gostaria de parabenizar pelo conteúdo do site que é muito bom e conheço poucos que trazem informação de qualidade sobre esses assuntos. Já acompanho no Facebook faz um tempo a página Tradição Rosa Cruz que também é muito boa. Venho aqui só pra fazer um comentário que na verdade é uma troca de informação pois andei dando uma pesquisada nessa informação que circula na internet faz tempo que diz que a data de 25 de dezembro é a data de nascimento de alguns Deuses de outras culturas e pelo menos de dois ao que eu pesquisei, a informação parece não ser verdade. Primeiramente a informação a respeito de Horus pode ser vista nesse site de uma arqueóloga especializada em Egito antigo que explica o porquê essa informação não confere: http://arqueologiaegipcia.com.br/2013/12/24/horus-nasceu-no-dia-25-de-dezembro/
    A respeito de Krishna também eu perguntei a uma amiga que nasceu em uma comunidade de adeptos do induísmo (Hare Krishna) e a mesma disse ser falsa essa informação. Estou fazendo esse comentário para troca de informações mesmo pois vejo algumas informações como essa da data que é muito divulgada mas não colocam a fonte, o que acaba causando algumas confusões. Gostaria de saber a sua opinião. Qualquer informação a esse respeito é bem vinda. Obrigado.

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    1. admin

      Possivelmente a maioria dessas divindades não nasceram em tal dia. Haviam festivais nesta data relativos ao Solstício de Verão e certamente dentre alguns povos haviam divindades que eram homenageadas neste ritual, tanto pela questão do solstício quanto pela observação da "morte" e "ressurreição" do Sol entre o Solstício e os três dias subsequentes. Então, sim, a informação sobre o nascimento de todos os deuses solares nesta data é falsa, embora haviam rituais em alguns povos relativos ao que ocorre no céu entre 21 e 25 de dezembro e alguns deles eram sim associados a divindades e outros mitos.

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  2. Frater Soltys

    Boa tarde amigo José Barros. A intenção do artigo foi mostrar a dimensão de mitologia solar, e assim o aspecto do Cristo Mítico, bem como certos saberes de teosofia, gnosticismo, rosacrucianismo e doutrinas assemelhadas. O amigo está certo se num aspecto exotérico esses deuses têm a data de nascimento diferenciada. Mas aqui em Natal se tratou do aspecto esotérico dessa concepção da data.

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