A Bíblia Judaica fala de Anjos Caídos?

Texto de Darley 'Absalom' publicado originalmente no blog Conceitos Judaicos no dia 19 de julho de 2010.

Diabo é conceito judaico?

luciferPor que coloco esta página aos meus amigos e interessados? Eu sempre digo aos meus ouvintes, que antes de querer seguir qualquer coisa que dizem estar na ‘Bíblia’, devem notar na História, se o fato é real. Tudo que aconteceu com o povo de Israel, foi anotado nos livros de História, se não na Mundial, pelo menos em livros de História de Israel.

Quanto tempo dura um mito? O tempo em que você acredita nele, até descobrir a realidade.

Pelo fato de que muitos acreditam que a ‘doutrina ‘ de demônios e seu grande chefe Lúcifer é um conceito judaico. Isso é o que veremos a seguir, não só pela história pagã deste ser mitológico, mas como pelas próprias ESCRITURAS Hebraicas, o TANAKH.

Bem, antes de qualquer coisa, confesso que eu mesmo já acreditei neste mito, crendo da mesma forma que muitos de vocês crêem, ou criam: Ele era um anjo de D”s, que um dia se rebelou, e foi destituído de seu poder, vindo a ser expulso dos céus com terceira parte dos anjos, que haviam também se rebelado e blábláblá.

Mas, que surpresa ao ler os textos da Tanakh que aludiam ao ‘dito cujo’. Os mais requisitados para ‘comprovar’ sua queda são textos em Midrash dos profetas Y’shaiáhu (Isaías) e Ieheskel (Ezequiel), que veremos mais à frente.

Uma das primeiras religiões a assumir o papel de ‘Luz e lado Negro da Força’, com um deus bom, e seu paralelo mal, certamente foi ZARATUSTRA, um conhecido persa.

Pelo ano de 600 A.E.C, ou seja, pouco antes da destruição do Templo de Y’rushalayim, e já durante o exílio Babilônico, no Império de NevuradNetsar (Nabucodonossor), este sacerdote persa, assumia uma dualidade: No mundo espiritual existia o Bem e o Mal, como formas de domínio. Zaratustra, também conhecido como ZOROASTRO,(uma nota interessante: ZARATUSTRA NASCEU DE UMA VIRGEM), erradicou a pluralidade de deuses, conceituando apenas duas divindades, com outras de menor valor ainda vigente. Com isso, o mundo médio-oriental antigo, iniciava sua desapropriação dos deuses, o que com os gregos tomou força. Com o ‘monoteísmo-dualista’ de Zaratustra, a Pérsia consideraria o seu Imperador o Deus na Terra, enquanto os males não eram por ele implantados, e sim por uma divindade maligna. Bem, não vou me detalhar na religião dos antigos iranianos e sim na crença num poder do MAL.

O Deus do bem, chamado de Ormuz, o Deus do Mal, chamado de Arimã.

Arimã, que mais interessa nesta página era representado por uma serpente. Interessante notar que os cristãos, independentemente das várias denominações, e inclusive os chamados messiânicos, crêem exaustivamente que a figura da nachash (serpente) na TORÁ, é uma das representações do Mal, ou mais propriamente do diabo.

Enquanto o Deus ‘da bíblia’, assim como Ormuz é criador de tudo de bom, Arimã (Lúcifer) é o criador de todo o mal. Não é assim que a TORÁ relata, mas veremos isso mais tarde.

Arimã foi o criador de doenças, morte, todo tipo de males físicos, da mentira, das trevas espirituais, das catástrofes, enfim DO PECADO. Da mesma forma muitos acreditam que o Diabo assim também o faz. Sem precisar citar textos, sabemos que diz ser ele (Lúcifer), o pai da mentira, aquele que fez Adam pecar, quem dominou homens pelo espírito, fazendo-os adoecer, etc, etc, etc.

Como apareceu o Diabo para a Religião

Bem, Arimã é o arquétipo persa de Lúcifer, o Diabo. Mas, e as demais religiões, anteriores ao cristianismo?

Antes de tudo Lúcifer não é uma palavra Hebraica, e sim latina, da tradução de Jerômino, no séculoV. Quer dizer “Cheio de Luz”, com referência latina ao texto de Y’shaiáhu 14:12, em que nos traz H’ilel ben shachar , ou traduzido, estrela, filho da manhã. Nada comparado com o Luz da manhã, ou Cheio de Luz

Bem, este texto se refere ao REI de BABILÔNIA, como, dito, veremos mais tarde. Muito menos se refere à serpente de Bereshit 3 (Gênesis).

Segundo o cristianismo católico, e com isso suas ramificações evangélicas, Lúcifer era o maior dos querubins, e mais belo, talvez falando de sua aparência física mesmo. Este tal Lúcifer, o Diabo, foi, segundo a mitologia cristã, colocado em posição de destaque por Deus, o mesmo (pela incoerência cristã) D”s de Israel. Segundo esta doutrina, depois adotada pelos protestantes em geral, incluindo aí os novos messiânicos, o Diabo, a que chamam também de Satã (nada a ver com o Satan das ESCRITURAS, mas, usado como tal), se tornou um orgulho só, pela posição elevada que Deus o havia colocado.

O Diabo, não querendo ser um servidor de D”s, se rebelou, e com isso uma tal de terça parte dos seus subordinados se foi com ele. Houve uma luta no céu, e ele foi expulso com os demais, vindo a ser como que exilado aqui, na terra, entre nós (??). E tudo isso antes que o mundo fosse ordenado por HaShem, como descreve Bereshit 1.

Desde então, a criação ordenada de HaShem, segundo esta nefanda doutrina, ‘jaz no maligno’, ou seja, quando HaShem criou o homem, ele (o Diabo), já estava aqui.

Porém, apenas o livro sagrado dos cristãos, o NT fala disso, e nunca os Livros dos profetas, ou mesmo a TORÁ.

A sua aparência pode variar de um ser chifrudo e com rabo, até um ‘anjo de luz’, como diz um pernicioso escritor. Porém, nenhum judeu, nem mesmo o mais sábio de todos o Rei Shelomo ben David soube jamais disso.

Bem, com toda esta mistureba, o Arimã dos persas zaratustrianos, se tornou o Lúcifer romano-cristão. De um anjo Real, se tornou um rebelde, decaído. Há muitas outras coisas que poderíamos falar deste ‘fulano’, deste mito, mas vamos ponderar se ele é CONCEITO JUDAICO.

Que nos diz as ESCRITURAS, base Judaica de conhecimento, e que os ocidentais também tem como uma fé? O TANAKH apóia este conceito?

Não citarei aqui versos do NT; creio que todos que lêem este periódico já o sabem.

Porém, a base de tudo, aquele que pode dar seu aval, se positivo, ou negativo, o TANAKH, este estaremos ‘vasculhando’.

O que o TANAKH nos diz a respeito do Diabo: é afinal Conceito Judaico?

A Serpente

Iniciando em sua primeira aparição, que poderia ser um ente maléfico, que levaria o primeiro homem a pecar, vamos observar:

“VeNachash haya arum micol hayat hassad asher assá HaShem Elohim”

"E a serpente era astuta mais que todos os animais do campo que fez HASHEM Poderoso"
(Bereshit 3:1a)

A descrição do terceiro capítulo da TORÁ, sobre a desobediência do Homem, nos traz uma personagem: a Nachash, ou seja, a serpente.

Vamos analizar ‘tchento por tchento’:

Qual era o animal mais astuto (arom) do campo? haNachash, a serpente.

Quem criou a serpente? HASHEM

O que era a serpente? animal do campo, astuta.

Astuta? Sim, mais que todos os animais do campo

Onde está narrado, mesmo que ocultamente outro ser, além da Nachash?

Onde entra outra criação de HASHEM, bendito seja, nesta narrativa? Não há.

Vamos analizar:

o texto que se refere ao desenvolvimento do conhecimento do HOMEM, se inicia trazendo a descrição de um animal do campo, que HASHEM fez, ou seja, o texto declara visivelmente que HASHEM havia feito (assáh) este animal, entre muitos que havia feito. A narrativa, posteriormente nos falará:

"E disse para a mulher: Foi assim que HASHEM disse : 'Não
comereis de toda árvore do jardim?'

E disse a mulher para a serpente: ‘Do fruto da árvore do jardim (podemos) comer, e do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse HASHEM, não comereis dele, nem tocareis nele, para não morrerdes.”
(Bereshit 3:1b-3)

Vejamos, que se a serpente fez o HOMEM pecar, comendo o fruto, quem fez a mulher pecar? Pois ela disse: "Do fruto da árvore do jardim (podemos) comer, e do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse HASHEM, não comereis dele, nem tocareis nele, para não morrerdes."

Vejamos o que ordenou HASHEM:

"E ordenou HASHEM Poderoso ao homem, dizendo: 'De toda árvore do
jardim podes comer. E da árvore do conhecimento do bem e do mal, não
comerás dela; porque no dia em que comerdes dela, morrerás."
(Bereshit 2: 16-17)

De forma alguma vemos uma entidade de espécie alguma falando e seduzindo a Chavá.

A mulher já havia comido o fruto? É claro que não. Quando Chava (Eva, a 1ª mulher) fala com a serpente acerca da proibição, e coloca mais palavras do que HASHEM havia ordenado, ela falou do que lhe era próprio, ou seja, a intenção dentro dela expôs sua justificativa para não comer. Ela não havia comido do fruto para o pecado entrar. No entanto, ela falou coisas que não haviam sido 'colocadas aos ventos', mas daquilo que havia dentro dela.

A serpente, sendo a mais astuta dentre os animais, usou de sua 'esperteza' e colocou a mulher na parede, depois que ouviu de sua boca '...nem tocareis nele...' Ela usou a sua própria condição, para falar aquilo. Portanto, se considerarmos como uma adição ao que HASHEM havia falado, ela entrou em transgressão, ou seja, pecou, o que não creio.

Portanto, a serpente, animal mais astuto dentre todos do campo, foi apenas ela mesma, e não uma 'possuída do demônio'. Sua arma foi a astúcia, em colocar uma pitada de distração á mulher, fazendo com que ela cedesse ao seu próprio ser.

Mesmo porque, vemos as falas somente entre a serpente (nachash) e a mulher (ishá). E depois, quando HASHEM convoca a serpente para lhe dar sua punição, explicitamente vemos :

"E disse HASHEM Poderoso: 'Porquanto fizeste isso, maldita és tu, mais que todo quadrúpede e mais que todo animal do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias de tua vida. E inimizade porei entre ti e a mulher, e entre a tua semente e entre a sua semente; ela te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar."
(Bereshit 3:14-15)

"E disse HASHEM Poderoso: 'Porquanto fizeste isso, maldita és tu, mais que todo quadrúpede e mais que todo animal do campo...''

Maldita seria a serpente entre todos os animais, e como conseqüência desta maldição estaria a inimizade entre a serpente e a mulher (Chava), e entre a semente (zeráh) da serpente, ou seja seus filinhos, e os descendentes de Chava. A perseguição seria entre as duas, ou seja o animal nachash (serpente) e Chava, a mulher, e depois destes entre os seus descendentes, tanto de um como de outro.

A TORAH, quando especifica que "...E inimizade porei entre ti e a mulher, e entre
a tua semente e entre a sua semente; ela te ferirá a cabeça e tu lhe
ferirás o calcanhar..."
diz-nos claramente que se trata de Chava e a serpente.

Assim diz o texto hebraico transliterado:

Beynekhá u'vein haIshá u'bein zareekhá u'bein zareah hú

Entre ti e entre a mulher, ou seja, CHAVA, e não uma mulher, ou outra qualquer num futuro distante.

Entre tua semente (zareekhá) e entre a dela (), ou seja, entre a semente (filhos) daquela serpente 'faladeira' e a semente de CHAVA (Eva). Seus filhos teriam esta inimizade até determinado dia referido pelo CRIADOR, bendito seja.

Não está falando de Satan, menos ainda do diabo e demônios. Não está falando de futuro rastejar de 'satanás', mas do rastejar que a partir daquele momento a serpente experimentaria. O comer pó da terra se dá pelo seu tato estar na língua a partir deste momento.

Portanto, examinando rapidamente, sem exaustão os primeiros capítulos da TORÁ, vemos que o diabo não esteve presente de forma alguma naquilo que a Igreja chama de PECADO ORIGINAL.

Temos ainda as famosas citações nefastas, de que os neviim Y’shaiáhu e Ieheskel, falariam duma possível queda. Vamos ver:

Duas parábolas- Isaías e Ezequiel

Mal-entendidas, dão a base cristã (principalmente e de onde as demais crenças atuais teem) da existência do diabo e seus demômios.

Y'shaihu 14 (Isaías)

Este capítulo é, segundo dizem, uma das 'bases' para esta doutrina 'de demônios'. Mas, poderemos ver claramente em sua literalidade, num homem de carne e osso, como tudo que o ETERNO mostra a seus filhos e servos (Amós 3:7).

Examinando todo o contexto que cerca este capítulo 14, vemos qual a verdadeira intenção de Y'shaiah: mostrar a Israel a Yad vaShem, Mão do ETERNO. Já no Cap.11 e 12, fala do futuro de Israel, e do mundo, quando entrando no Cap 13 se inicia a parábola sobre o rei de Babilônia Nevuchadnetsar, mais conhecido como NABUCODONOSSOR, e que em dois caps. nos mostrará a derrota de sua arrogância. (14:4)

Entrarei agora, com cuidado nos versículos que nos mostram esta realidade.

Y'shaiáhu 13:1 "Profecia sobre o futuro da Babilônia que ocorreu a Isaíah ben (filho de) Amóts."

Tudo se dará em volta desta nação, forte e poderosa que devastava os países vizinhos e os conduzia (seus nobres e sábios) ao Cativeiro de Babilônia, como conhecemos esta etapa da História. Sob comando do Imperador Nabucodonossor, as tropas babilônicas invadiam e pilhavam cidades e reinos, subtraindo seus nobres, sábios e mulheres, e suas riquezas, levando-os ao que ele tinha por idéia tornar o mais rico e notável Império. Tanto que sabemos que uma das 7 MARAVILHAS DO MUNDO ANTIGO foram exatamente os JARDINS SUSPENSOS DA BABILÔNIA, posteriormente destruídas pelos Médos-Persas.

Tudo que Isaías ouviu do ETERNO, ele nos passou: A montanha que Nabucodonossor ocupara (Tsion=Sião) teria uma bandeira agitada, em sinal de guerra (santa)(13:2-5). Quando se fala de 'toda a terra', logicamente se está falando de toda a terra que Babilônia havia tomado. Isto aconteceria com a invasão de Ciro e das tropas Iranianas (ou Persas), no ano 538-537 AEC.

A IRA DO ETERNO (trazida por Satan pela vontade de HaShem e de mais ninguém) seria um dia de crueldade e fúria famejante (13:9), e que seria sentido por todos os súditos de Babilônia, a começar pelo mais cruel dele (Nabucodonossor) como vemos em Daniel 4. Aliás, Daniel foi um dos vários sábios que este rei levou a Bavel. Naquele dia de IRA nem o Sol nem a Lua deram a sua luz ao babilônios, que foram destruídos pelo exército de Ciro, o UNGIDO de HaShem, como o mesmo Isaías profetiza (Is 45:1).

Babilônia se tornaria como Sodom e Gomorra, quando estavam destruídas por HASHEM: sua beleza (os Jardins Suspensos) e glória para os caldeus estaria sob cinzas (13:19-22). Assim como Sodoma e as demais cidades destruídas pelo ETERNO se tornaram inabitáveis (segundo os sábios seu local hoje é o MAR MORTO), Babilônia assim seria.

No entanto, adentrando no Cap. 14, veremos que tudo que o 13 falou acerca de Babilônia era para que Israel se fortalecesse, porque seria amostra de compaixão de HaShem para com seu povo.

Is 14: 1-4"Porque o ETERNO mostrará compaixão para com Yaacob (Jacob). Ele novamente fará de Israel Sua escolha e o fará repousar em Sua terra. O convertido a ele se unirá e se sentirá ligado à Casa de Yaacob...e será no dia em que o ETERNO lhes proporcionar alívio destes dissabores e de sua ansiedade quanto ao trabalhoduro ao qual foram submetidos, que pronunciarão esta PARÁBOLA SOBRE O REI DE BABILÔNIA: Como o opressor cessou de oprimir e como se esgotou sua arrogância.

Vemos claramente que inicia com esta declaração CONTRA O REI DE BABILÔNIA NABUCODONOSSOR (Dn 4). Uma parábola é uma narratíva alegórica, ou seja, não necessáriamente acontecerá daquela forma, como veremos a seguir. No entanto, é como uma lição de moral ( neste caso ao opressor). O Rei receberia esta parábola acerca do que ocorreria consigo, e dita pela boca de Isaias, como ocorreu com Natan e Dauid, o Rei, quando este matou Urias (2 Sm 12).

Is 14:5-7 "O ETERNO quebrou o cajado dos ímpios, o cetro dos governantes (o rei e seus comandantes), que atacavam com fúria os povos com golpes implacáveis, que com ódio oprimiam os povos, que eram por eles perseguidos sem descanso. Toda a terra (que o rei havia dominado)repousa em tranqüilidade e entoa cânticos de alegria.”

Quando o rei Nabucodonossor foi quebrado pelo ETERNO (sua morte), posteriormente se deu uma disputa pela sua herança de trono, pelos nobres e comandantes do Exército e seu filho Baltazar, o que enfraqueceu e muito seu reinado, que acabou sendo conquistados por Côresh (Ciro). A terra descansou (pelos 70 anos de cativeiro) e seus remanescentes cantaram pelo retorno posterior (2 Cro36: 22.23).

O Rei de Babilônia é a estrela da manhã

Agora entra então a parábola em si, com um conteúdo singular e em destaque principal o Rei caldeu NevuchadNetsar. Veremos isto pela alegria que toda a natureza sente, e isto é passado ao profeta Isaias, que com a Alma elevada proclama:

Is 14:8-11

"Até os cipestres do Líbano se regozijam sobre ti, ó rei, e os cedros proclamam:' Desde que tombaste (morreste), não veio a nós nenhum lenhador (para destruir as florestas). O Sheol (mundo dos mortos) em seus subterrâneos, apressa-se em saudá-lo, perante tua chegada., ó rei. As sombras dos grandes (reis) se agitam para ti'. Ergueram de seus tronos todos os reis da terra (dominados por ti). Todos te respondem e te perguntam , ó rei,:'Tu te tornaste tão fraco (perante o ETERNO) como nós?Tua pompa desceu ao abismo (se acabou) junto com o barulho de teus saltérios; os gusanos pululam debaixo de ti e os vermes te cobrem (seu corpo exaltado está morto).

Sabemos que árvores não falam neste texto, pois é uma parábola, diferente da serpente, em que o texto da TORÁ descreve em conversa com a mulher: Vaiomer el haisháh( E disse para a mulher); aqui no entanto HASHEM diz ao profeta 'profere uma parábola'. Há um aviso do que se trata esta 'conversa', uma alegoria.

Bem, ENTRAMOS AGORA no texto mais mal esclarecido, e que dá esta 'base' da existência dum 'tal Lúcifer', que de forma alguma é descrito no texto Hebraico.Aliás, para quem não sabe, Lúcifer é uma designação do Latim para cheio de luz.

Is 14: 12-14

"Como despencaste dos céus, ó estrela da manhã, filha da aurora. Como foi derrubado por terra o que ditava sortes sobre as nações! E tu, ó rei,que dizias em teu coração: 'Ascenderei aos céus; acima de todas as estrelas do Poderoso* exaltarei meu trono; me assentarei sobre o outeiro (monte) da assembléia, do lado mais extremo do norte; subirei acima das nuvens; serei como o Altíssimo.

Aqui, o profeta, falando do que o ETERNO lhe ordena, ou seja, em parábola, aclama a derrota certa que o Rei terá, e como toda a natureza física e celestial (árvores e Sheól) entendem sua decadência. Aquele que tinha tudo em suas mãos, e trás a Israel o castigo pelos seus pecados, pagará pela arrogância, em que, podendo conquistar tudo pelo benefício de HASHEM, acaba pedindo a si próprio a veneração como se fosse o CRIADOR e DONO do Mundo (Dn 3). Este abuso é destaque quando o rei cai de sua majestade (Is14:11), e tudo que ele pensava ser e fazer veio 'por terra', cai com a Mão do ETERNO.

Nada aqui se refere ao 'DEMONIO', muito menos a um 'anjo decaído’, mesmo porque, vemos nesta passagem que o rei, e não anjo, quer SUBIR, ASCENDER, e não que já estava lá, como dizem do 'tal anjo caído'. Ora, se este texto declara a sua queda, como pode ele estar na terra e querer subir ainda? Não podemos colocar algo que não há na Escritura, para simplesmente aprovar uma 'doutrina' criada por homens, advinda do paganismo pré-cristão. Os seres do Bem e do Mal eram e são até hoje uma grande cobiça, uma guerra infindada, que atrai milhares se olhos e mentes ao inexistente. O BEM e o MAL é mais que um indivíduo imaginário.

Mas, voltando. O rei recebe a sua punição, e os seus dominados, os reis de outras nações ao lhe saudarem no Sheól, local de todos os mortos, justos e injustos(Ecl 3: 18.19). Assim, como Vênus, o Planeta, no verão aparece com Soberania sobre até mesmo o Sol, assim o Rei queria subir mais alto que todas as estrelas (outros príncipes, inclusive os Ungidos do ETERNO). Israel sofrera o que Jeremias, o profeta anunciará deHaShem:o seu cativeiro duraria 70 anos em Babilônia. Com este tempo terminando, Bavel cairia, ou seja, pagaria péla sua soberba, aqui representada por seu governante máximo, Nabucodonossor, conquistador da Assíria, que sofrera este ataque em paga pela tomada do Reino do Norte (Efraim, ou Casa de Israel).A ESTRELA DA MANHÃ é unicamente o Rei Nabucodonossor, e não um anjo caído de nome Latino(?)Lúcifer.

Continuando o texto nos diz:Is 14:15-20

"Entretando ao Sheól foste trazido, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te olharão cuidadosamente e te contemplarão, sem acreditar: será este o homem que fez a terra tremer, que abalou reinos, que tornou o mundo uma área devastada, destruindo todas as cidades; que não permitiu aos seus prisioneiros retornar aos seus lares? Os reis de todas as nações(mortos) repousam em glória, cada um em sua casa. Mas tu foste retirado de sua tumba, como uma raiz podre, com as vestes de mortos que foram eliminados pela espada, que descem ao fundo do abismo como uma carcaça pisoteada. Não te juntarás a eles(seus reis dominados) ao ser sepultado, porque destruíste sua terra e assassinaste seu povo; a semente dos malfeitores não será lembrada para sempre.

Aqui, novamente, vemos o Rei em 'encrenca' quanto à sua morte, pois será retirado da sepultura, e com os nobres reis que conquistou não descansará, pois ao ser conquistada a cidade de Babilônia pelos Médos, sua sepultura foi profanada e seus ossos espalhados pelas tropas inimigas. Agora pergunto, através deste texto: ONDE está o 'Anjo Caído'?

Ora, o texto diz Is 14:16 "...será este o homem que fez a terra tremer, que abalou reinos...?" Diz HOMEM, e não anjo, ou algo relacionado. Não podemos desvirtuar as Escrituras. Isaias fala de um homem, um rei, Nabucodonossor. A estrela da manhã é o rei. Ambos os Caps 13 e 14 encorajam a Israel em cativeiro. Sabemos que Babilônia foi próspero, mas caiu pela sua arrogância, de seus governantes, e que através desta queda, Ciro, o Mashiach de HaShem se levantaria para trazer de novo Israel ao seu lugar da promessa à Abraham, u'Itschaq u'Yaacob.

Bem, com isso espero ter trazido a vcs algo relevante acerca de Isaiah 14.

O Rei de Tiro e as postas do Mediterrâneo

Entramos em Ieheskel 28, e a profecia contra o Rei de Tiro, uma localidade do leste mediterrâneo, riquíssima por sua estratégia marítima, do qual desde oCap 26 se torna meta da profecia, pois ela, assim como Bavel se torna arrogante em sua conquista, no entanto ela é da parte comercial. Tudo que Jerusálem tinha em seu comércio foi pleiteada por Tiro, que desdenhando da cidade do ETERNO se alegra por sua destruição por NevuchadNetsar (Ez 26:1-2)

Com isso, o ETERNO, Bendito Seja, determina seu fim(3-5). Aquele que caiu sobre a Cidade Santa, cairá também sobre Tiro, onde o seu rei será esmagado e seu ápice de queda se dá no Cap. 28. Ele cai durante o reinado de Nabucodonossor, o que aumenta ainda mais a vaidade deste soberano de Babilônia, pois todo comércio de Tiro, agora será seu. Leiam atentamente os Cap 26 e 27 de Ezequiel, por favor. Uma cidade com entradas para os três continentes conhecidos à época: África, com Cartágo, posteriormente; Creta e o continente Europeu, e a Ásia ao norte do Mar Mediterrâneo. Além de estar como porta para todo o Oriente-Médio e Babilônia. Ali veremos a fortaleza comercial que era a Cidade-Estado TIRO, com intensas negociações de todo tipo de produtos. O Mar Mediterrâneo dava toda condição a ela e seus portos. Em toda História vemos as intensas disputas por esta porta ao Oriente, tanto que muito mais tarde o Navegador Vasco da Gama preferiu uma volta muito maior, através do continente africano, o que configurou numa nova estratégia comercial com a Índia, sem precisar de tributar por aquela região, que tornara-se perigosa. Mas, bem, Tiro, elevou-se, e seu rei mais ainda, querendo, assim como Nabucodonossor, ser mais 'maior que o Altíssimo'.

Cap 28:15-19
"E a palavra do ETERNO veio a mim, e disse: Ó filho do homem! Diz ao príncipe de Tiro: Assim disse o ETERNO PODEROSO: Portanto se insuflou seu coração e e disseste:' Eu sou um dios! Sento-me no trono do PODEROSO, no coração dos mares!', quando tu és apenas um homem, e não o PODEROSO, ainda que se orgulhe teu coração como se fosse divino; te crês mais sábio que Daniel, e supõe que não há segredo que de ti possam ocultar, que por tua própria sabedoria e inteligência contraíste fortuna, e incrementastes tesouros com ouro e prata, e que pela grandeza de tua grande sabedoria aumentaste tuas riquezas através de teu comércio e, por isto, se sente altaneiro teu coração".

Tudo isto sentia o Rei de Tiro, Itsbaal. Ele, pelo poder comercial disse a si mesmo: SOU DEUS.

Bem, contudo chegaremos no que a maioria aceita de bom grado: o 'dito Lúcifer', foi sim anjo caído, querubim da guarda, e estava no Éden, ufa.. Será isso mesmo?

" E a palavra do ETERNO veio a mim, e disse: Filho do homem, entoa uma lamentação sobre o príncipe de Tiro, e diz:' Assim lhe diz o ETERNO PODEROSO: Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e pleno de formosura. Estavas no Éden, no Jardim do CRIADOR, e cada pedra preciosa te cobria...Foste perfeito em teus caminhos desde o dia em que foste criado, até que a iniquidade se apoderou de ti. A multiplicidade de teu comércio trouxe a violência a teu meio e vieste a pecar. Porque te profanaste te fiz cair do monte do ETERNO, e te destruí, ó querubim de asas protetoras em meio às pedras de fogo. o seu coração se tornou orgulhoso por causa de tua formosura, corrompeste a tua sabedoria devido ao teu resplendor. Eu te lancei ao solo e te pus diante de reis para que te possam contemplar pela multiplicidade de tuas iniqüidades e pelas injustiças que cometeste em comércio profanastes teus santuários...Ficarão assombrados contigo todos os povos que te conheceram. Tornaste-te um símbolo do terror e nunca mais voltarás a existir.”

Bem, o príncipe de Tiro, acabou por perder seu posto por sua soberba e muitas injustiças em seu comércio marítimo, onde até mesmo contra Jerusálem ele tentava derrubar. A ganância fez com que sua sabedoria, que levantara a economia do país seria a mesma que o lançaria entre os povos com os quais ele comercializava. Nada se referindo ao 'Diabo'. Quando lhe chama de querubim de guarda, o trata como sendo aquele, que às portas do mar trazia tudo de bom aos povos adentrados no continente, e não ao anjo que poderia guardar o Éden em sua entrada. Vemos claramente que seu comércio, e não outras coisas o derrubaram do posto que o ETERNO pré-dispusera à ele. Com seu comércio, Israel mesmo era beneficiado, e com sua arrogância, até mesmo Israel seria prejudicado.

Nada de estar este texto revelando um anjinho bom, que se desvirtua e tornas-se mal, mesmo porque o texto sequer insinua isto, visto dizer:...quando tu é apenas um homem....

A fantasiosa, me desculpem, imagem de ver um diabo, anjo caído, nestes textos Sagrados, não é CONCEITO JUDAICO, e muito menos Escriturística, senão unicamente NAS RELIGIÕES que não interpretam as mesmas com a mentalidade sapiencial dos antigos judeus.

O caso, então da Nachash, Serpente, ser o 'tinhoso' é apenas dado no NT, como já disse acima. Não há nem mera figuração de Satan ter caído dos céus, mesmo porque o texto de Isaias fala de ele (o rei) subir ao céu. Se o Anjo é caído, como pode ainda querer estar subindo? E em Ezequiel, também o príncipe é tratado como homem, assim como em Isaias

Esta é uma visão dentro das Escrituras, por isso me levo a pensar que outras coisas são introduzidas por homens, de muita falta de senso para com aqueles que querem conhecer ao CRIADOR, BENDITO SEJA, desviando-os da Verdade.

Satan é um e existe. Diabo nada tem a ver com as ESCRITURAS JUDAICAS, e não existe.

Não há personificação do mal real. Existe, isso sim, materialização do mal criado dentro de cada um de nós, do qual falarei oportunamente

Portanto,

ANJOS CAÍDOS NÃO É CONCEITO JUDAICO!

2 comentários sobre “A Bíblia Judaica fala de Anjos Caídos?

  1. Acauã Silva

    Rudolf Steiner ao falar do mal faz uma nítida diferença entre Arimã e Lúcifer, cada um representando o mal na Terra e outra na esfera Lunar.

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  2. Acauã Silva

    E esse conceito da Gematria que Nachash é 358. Isso abre para inúmeras explicações... como: Messias ou Mashiach (358) = serpente (nachash).

    Responder

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