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Texto de Kennyo Ismail publicado originalmente no blog No Esquadro no dia 04 de janeiro de 2011.

Diversas instituições e religiões observam os dias de Solstícios e o Equinócio, visto ser um dos costumes mais antigos relacionados à divindade. Esses dias marcam as mudanças de Estações, o que sempre guiou e ditou a rotina dos povos da antiguidade.

O solstício de verão é o marco em que o dia é o maior do ano, em detrimento da noite. Já no solstício de inverno ocorre o contrário, e a noite é a maior do ano.

Enquanto no hemisfério norte o Solstício de Verão é em Junho e o de Inverno em Dezembro, no hemisfério sul inverte-se: o de Inverno é em Junho e o de Verão é em Dezembro.

Essa variação de dia e noite não ocorre na Linha do Equador, onde os Solstícios são definidos através da distância entre a Terra e o Sol.

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É verdade que na última parte de sua carreira espiritual Louis-Claude de Saint-Martin rejeitou inteiramente a Maçonaria. É fato conhecido que ele foi membro dos Elus Cohen, ordem de natureza maçônica em graus e estrutura iniciática criada por Pasqually. Porém, o que é menos conhecido é o seu envolvimento no desenvolvimento do Rito Escocês Retificado.

De acordo com pesquisadores modernos, com acesso a materiais originais e especialmente às correspondências entre Jean-Baptiste Willermoz e LCdSM, como René Leforestier e Dominique Clairembault, Saint-Martin teve muita contribuição no desenvolvimento do Rito Escocês Retificado. No princípio, ele desencorajou seu amigo de buscar o modelo maçônico, mas depois concordou em ajudar e foi comentando a estruturação do Rito. Esta contribuição para o desenvolvimento do RER é tristemente negligenciada e esquecida hoje.

...continuar lendo "Saint-Martin, Maçonaria e Rito Escocês Retificado"

Texto de Jean-Baptiste Willermoz, conforme o original na Biblioteca Municipal de Lyon

Caro Senhor,

Vós haveis me confiado vosso desejo de ser recebido maçom no regime específico que segue a Loja à qual o Senhor (…) está afiliado. O tempo não me foi suficiente para vos propor algumas reflexões e observações preliminares a esse respeito, mas como agora estou num momento mais favorável, aproveito para vos apresentar, convidando-vos a não ser precipitado em vossa resposta. Sinto-me muito honrado pela confiança que em mim depositastes, pela abertura que fizestes de vosso objetivo, e agirei conforme este sentimento e consideração especiais que vós me depositastes, assim como a todos que tem a honra de vos conhecer. Não duvido que os motivos que hão feito nascer este desejo num homem tanto honesto quanto prudente não deixam de ser muito honrosos, assim como duvido também que a Loja à qual devereis afiliar-vos, quando for o tempo, saberá bem apreciar e não falte à justiça que vos é devida. Limito-me então, caro senhor, a vos dar uma vaga ideia da instituição em geral, e do Regime específico ao qual desejai vos associar.

A origem e o objetivo essencial desta instituição são muito antigas e extremamente pouco conhecidas, sendo muito maior o número daqueles que levam o título de maçom, porque a maioria se satisfaz com o superficial, mas pouquíssimos procuram o âmago das coisas. Alguns desejam adquirir este título apenas para procurar, sob seu véu, alguns divertimentos misteriosos e amizades que, quase sempre, são tão pouco profundas quanto o gosto que os une; outros o desejam para realizarem juntos uma beneficência louvável e honrosa, que é o objetivo ostensível e geral da sociedade; por último, outros puderam pensar que uma instituição cuja origem primitiva perde-se na noite dos séculos, não pudesse existir e ter resistido a todos os choques se não estivesse sustentada por um objetivo fundamental e essencial para os homens de toda classe, idade e nação, tomando um desenvolvimento mais elevado, de modo que enquanto alguns rastejam no vestíbulo do Edifício, outros flutuam em seu teto. Os desvios de alguns na sociedade civil degradaram a Sociedade mais respeitável aos olhos do povo, frequentemente imprudente e precipitado em seus julgamentos, porque fizeram a isso como se faz comumente à Religião, que sempre é confundida com a conduta desagradável de alguns ministros que lhe pertencem. Mas esta Sociedade tem nela uma força pura, que não foi e não pode ser degradada em sua essência, a qual continuará sempre muito respeitável. Desta diversidade de gostos deve resultar, durante o decurso desta instituição e mesmo no seu interior, Regimes diferentes, sendo uns com regras mais austeras, devido a que se aproximam do seu objetivo primitivo, do que outros que terão preferido continuar mais afastado de suas origens. Como se vê em algumas partes de certas ordens religiosas, por exemplo, que estabeleceram reformas específicas e mais severas, sem cessar contudo de pertencer à sua ordem primitiva, mas antes sim para aproximarem-se da sua origem primitiva.

...continuar lendo "Carta a um Candidato em Admissão em uma Loja Retificada"

Texto de Jean Bricaud

De todas as Ordens da Maçonaria Iluminista que floresceram na França durante o século XVIII, nenhuma teve influência comparável àquela que entrou para a história sob o nome de Martinismo. O surgimento desta Organização coincidiu com a de um estranho personagem chamado Joachim Martinez Pasqually. Ainda hoje alguns afirmam que ele pertencia a uma raça oriental, enquanto outros dizem que Pasqually era um judeu Polaco. Na verdade, nada disso é verdade. Sua família veio de Alicante na Espanha, onde seu pai nasceu em 1671, de acordo com as credenciais maçônicas apresentadas por seu filho em 26 de Março de 1763 na Grande Loja da França. De acordo com o mesmo documento, Joachim Martinez Pasqually nasceu em Grenoble no ano de 1710. Além disso, em 1769 durante o curso de um processo legal contra Du Guers, atestou ser Católico. Portanto, não era Judeu.

Martinez Pasqually que também se intitulava Don Martinez de Pasqually, passou a vida ensinando nas Lojas, na forma de um rito maçónico elevado, um sistema religioso ao qual deu o nome de: Elus Cohens, ou Sacerdotes Eleitos (Cohen em hebraico significa Sacerdote). Apenas aqueles maçons do grau de Elus eram admitidos nos Elus Cohen. Martinez viajou, de maneira misteriosa, por várias partes da França, sobretudo pelo sul e sudoeste deste país. Costumava deixar uma cidade sem dizer para onde ia e chegar a um lugar sem revelar de onde vinha. Enquanto propagava sua doutrina, conseguia adeptos nas Lojas de Marseilles, Avignon, Montpellier, Narbonne, Foix e Touluse. Se estabelece finalmente em Bordeaux em 1762, onde se casou com a sobrinha de um antigo auxiliar do Regimento Foix.

...continuar lendo "Retrospectiva Histórica do Martinismo"

Texto de Lyam Thomas Christopher publicado originalmente no blog Forbbiden Realms no dia 5 de fevereiro de 2018.

Você está possuído por um espírito maligno? Quando você olha para o mundo, alguma força misteriosa o compele a vê-lo como sem propósito, sem sentido e aleatório?

O grande plano da modernidade para você como um cidadão orgulhoso de uma utopia tecnológica - como um intelectual sem problemas que se deleita em um paraíso de plástico e cromo controlado pelo clima e com botões - é basicamente autodestrutivo. Ela o afasta da natureza, vê o corpo humano como uma mera máquina e nega a existência da alma do mundo, da própria força vital que alimenta sua própria perspectiva. Quanto de você tem esse poder da modernidade?

Os professores, cientistas e líderes de hoje não o dirão, é claro, mas suas ações revelam que eles são possuídos por uma cosmovisão limitante, um sistema de crenças que os compele a ver o universo como vazio e quase todo morto. Como o “mundo externo”. Um lugar estranho de alteridade, onde as estrelas são frias e insensíveis, e a natureza é desprovida de qualquer inteligência animadora. Apenas os humanos possuem a inteligência, certo? E as florestas, os oceanos e o céu são lugares “físicos” duros e indiferentes, repletos de leis brutais que nos destruirão se não os controlarmos. A Mãe Natureza não se incomoda em falar conosco porque, bem, ela não é real, né? Apenas uma noção poética. Uma personificação que inventamos para nos confortar. Da mesma forma, deuses e espíritos também não são reais. Não existe tal coisa como destino. O universo é sugado de sentido, esvaziado de fantasia, e a fantasia é, na melhor das hipóteses, "apenas um sonho", ou uma alucinação, na pior das hipóteses. Aprendemos a sufocar o mistério de uma estrela cadente transformando-a em um pedaço sem sentido de detritos espaciais.

...continuar lendo "A Pedra Filosofal"

Resumo de Moacyr M. Morais e Jorge K. Hossomi

Orientação para a direção do pensamento - relaxe, mergulhando em você mesmo, deixando sua mente completamente limpa. Concentre-se plenamente em uma imagem ou em um pensamento que não tem nada a ver com seus deveres diários. Por exemplo, imagine um triangulo equilátero. Então dissolva-o. Então reconstrua-o em sua mente. Então dissolva- o novamente. Elimine todos os pensamentos associativos que venham em sua mente. É importante realizar isto diariamente ainda que por alguns minutos. É o primeiro passo para se obter domínio dos próprios pensamentos. Uma imagem de uma árvore, de um ser humano, ou de um objeto inanimado como um botão, ou um lápis também podem ser utilizados. Sentenças, frases ou mesmo uma simples palavra também podem ser utilizados nesses exercícios.

Controlar os impulsos da vontade - a maior parte de nossas ações serve para um propósito. Esse exercício depende da escolha de algo que é inútil. Como ele não serve para nenhum propósito é um ato completamente livre. Escolha alguma ação que não seja necessária e faça todos os dias no mesmo horário. Por exemplo, você pode escolher sentar-se em uma cadeira todos os dias ás 8:00h. Em seguida, acrescente uma segunda ação, e mantenha o primeiro exercício. Esse exercício fortalecerá a vontade.

Serenidade na alegria e na tristeza - mantenha o auto controle na alegria e na tristeza. Não caia em extremos. Isto cria calma interior e fortalece a vida dos sentimentos. Esse exercício tem a ver com o treino dos sentimentos.

Positividade no julgamento do mundo - desenvolva uma atitude positiva. Veja o belo, o precioso, a bondade em todas as experiências, em todos os seres vivos. Elimine a crítica. Isso desenvolve a apreciação pela vida.

Cultivar a abertura para todas as coisas - aprenda algo novo de cada coisa e de cada pessoa. Isso nos mantém flexíveis e despertos.

No início do sexto mês, repita os cinco exercícios sistematicamente.

Texto de Papus, publicado na revista L’Initation n° 4 de 1873

Uma das causas mais reiteradas da obscuridade aparente dos estudos das Ciências Ocultas diz respeito à confusão dos termos empregados por aqueles que se ocupam dessas questões. É então indispensável bem definir primeiro os termos que se empregam, sob pena de cairmos no erro que acabamos de assinalar. Poucas palavras prestam-se mais à confusão do que aquele de Iniciado. Uns consideram o Iniciado como o ser excepcional, designado com veneração por todos os autores do Ocultismo; outros encaram o termo com um significado bem menos elevado e que se pode aplicar de uma maneira geral.

É suficiente nos reportarmos à significação primitiva dessa palavra para verificar que a última acepção é a mais correta. Com efeito, o título de Iniciado na Antigüidade indicava simplesmente um homem instruído, cujos graus de instrução variavam segundo os casos, sem que o título geral de Iniciado sofresse a mínima modificação.

...continuar lendo "O que é um Iniciado?"

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É muito frequente vermos uma confusão em relação ao termo Martinismo e outros similares. Embora tratem de uma tradição com uma fonte em comum e sejam mesmo parecidos, tais conceitos podem ser bem diferentes. O objetivo desta postagem é tentar esclarecer sobre este assunto para que se evitem problemáticas relativas ao mal uso dos termos e mesmo para que possamos nos situar ao nos depararmos com eles.

A origem do problema está em nomes parecidos de Mestres do Passado, Martinez de Pasqually e Louis-Claude de Saint-Martin. Repare: "Martinez" e "Martin".

Algumas vezes Saint-Martin utilizou o termo "martinista" para se referir à sua antiga escola, os Elus-Cohen. Logo após a sua morte, notamos que alguns autores utilizam o termo martinista para se referir àqueles que leem as obras do Saint-Martin e outros para definir aqueles estudam as obras dos dois Mestres supra-citados. Após Papus, vemos tanto ambas as definições acima quanto mesmo para se definir ora os ligados à escola de Pasqually e/ou Saint-Martin ora os ligados às escolas martinistas contemporâneas.

...continuar lendo "Quem é Martinista?"

Texto publicado originalmente no blog Bibliot3ca.

A Carta de Bolonha, de 1248 E.´. V.´.
O mais antigo documento maçônico conhecido no mundo

Luc Boneville M.´. M.´.

Tradução: José Antonio de Souza Filardo

O “Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis” ou “Carta de Bolonha” foi redigido originalmente em latim por um escrivão público de Bolonha, a partir das ordens do prefeito de Bolonha, Bonifacii di Cario, no dia 8 de agosto de 1248. O original é conservado atualmente no Arquivo de Estado de Bolonha, Itália.

Tão importante documento tem sido incompreensivelmente ignorado pelos estudiosos da História da Maçonaria, por mais que as causas de seu esquecimento sejam óbvias, dado o empenho generalizado em ressaltar somente as origens inglesas da Maçonaria, e ainda assim foi publicado A. Gaudenzi no nº 21, correspondente a 1899, do Boletim do Instituto Histórico Italiano, titulando seu trabalho: “As Sociedades das Artes de Bolonha. Seus Estatutos e suas Matrículas”.

Os autos correspondentes à “Carta de Bolonha” está integrado por documentos datados em 1254 e 1256 e têm sido reproduzidos integralmente e com fotografias do original em um livro com o título “In Bologna. Arte e società dalle origini al secolo XVIII”, publicado em 1981 – hoje já fora de catálogo – pelo “Collegio dei costruttori edili di Bologna”.

Consciente da importância maçônica de tal documento, o Ir. Eugenio Bonvicini o editou em 1982 juntamente com um Ensaio de sua autoria, apresentado oficialmente por ocasião do “Congresso Nacional dos Sublimes Areópagos da Itália do Rito Escocês Antigo e Aceito”, reunido em Bolonha naquele mesmo ano. Do trabalho do Ir. Bonvicini publicou-se um resumo na Revista Pentalfa (Florença, 1984). Além disso, foi reproduzido em um capítulo de “Massoneria a Bologna”, de Carlo Manelli (Editorial Atanor, Roma, 1986) e em “Massoneria di Rito Scozzese”, Eugenio Bonvicini. (Editorial Atanor, Roma, 1988).

Está bem claro que a “Carta de Bolonha” é, para todos os efeitos, o documento maçônico (original) sobre a Maçonaria Operativa mais antigo encontrado até hoje. É anterior em 142 ao “Poema Regius” (1390), 182 anos ao “Manuscrito de Cooke” (1430/40), 219 anos ao “Manuscrito de Estrasburgo” reconhecido no Congresso de Ratisbona de 1459 e autorizado pelo Imperador Maximiliano em 1488, e 59 anos ao “Preambolo Veneziano dei Taiapiera” (1307).

O conhecido historiador espanhol, especializado em Maçonaria, padre Ferrer Benimeli, SJ, em seu comentário sobre a “Carta de Bolonha” diz (traduzido do italiano):

“Tanto pelo aspecto jurídico, quanto pelo simbólico e representativo, o Estatuto de Bolonha de 1248 com seus documentos anexos nos coloca em contato com uma experiência construtiva que não foi conhecida e que interessa à moderna historiografia internacional, sobretudo da Maçonaria, porque situa-se, pela sua cronologia e importância, até agora não conhecida, à altura do manuscrito britânico “Poema Regius”, do qual é muito anterior e que até hoje tem sido considerado a obra mais antiga e importante”.

A “Carta de Bolonha” confirma o texto das Constituições de Anderson, 1723, quando diz tê-las redigido após consultar antigos estatutos e regulamentos da Maçonaria Operativa da Itália, Escócia e muitas partes da Inglaterra. Revisando o texto do “Statuta et ordinamenta societatis magistrorum tapia et lignamiis”, não resta a menor dúvida de que este foi um dos estatutos e regulamentos consultados por Anderson. Os estatutos de 1248 foram seguidos pelos de 1254/1256, publicados em 1262, 1335 e 1336. Este último esteve vigente e inalterado até que em 1797 a “Società dei maestri muratori” foi dissolvida por Napoleão Bonaparte.

Em 1257 foi decidida a separação entre os Mestres do Muro e os Mestres da Madeira, que até então eram uma única Corporação, mas separados desde antes nos trabalhos das correspondentes Assembleias tendo, porém, os mesmos Chefes.

No mesmo Arquivo de Estado da Bolonha, conserva-se uma “lista de matrícula” datada em 1272 e ligada à “Carta de Bolonha”, que contém 371 nomes de Mestres Maçons (Maestri Muratori), dos quais 2 são escrivães públicos , outros 2 são freis e 6 são nobres.

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